Brotam as horas e eu sigo a fluir na sua corrente,
Rio que não vejo e que nasceu de húmido ventre,
Fruto do amor, nunca apagado, a acompanhar-me
Na correnteza que, ao me levar, sobe montanhas.
Sina estranha é deste fluxo estarmos conscientes,
Como quem sabe o que se esconde mais à frente.
Mas o ancoradouro a chegar é imerso em mistérios,
Terno enigma que, ao desafiar-nos, gera um império.
Sei dos caminhos tortuosos e doídos destas rotas.
Batalhei em tantas lutas, com vitórias e derrotas,
E reconheço cada cicatriz marcada em pele e alma.
Posso já ver, distante, a serra do porto prometido,
Aves litorâneas trazem canções aos meus ouvidos.
Nauta que sou, manobro ao cais com toda calma.
Ria de Combarro, Galiza, 2026

Nenhum comentário:
Postar um comentário