quarta-feira, 8 de julho de 2026

Canção dos 70 anos


Brotam as horas e eu sigo a fluir na sua corrente,

Rio que não vejo e que nasceu de húmido ventre,

Fruto do amor, nunca apagado, a acompanhar-me

Na correnteza que, ao me levar, sobe montanhas.


Sina estranha é deste fluxo estarmos conscientes,

Como quem sabe o que se esconde mais à frente.

Mas o ancoradouro a chegar é imerso em mistérios,

Terno enigma que, ao desafiar-nos, gera um império. 


Sei dos caminhos tortuosos e doídos destas rotas.

Batalhei em tantas lutas, com vitórias e derrotas,

E reconheço cada cicatriz marcada em pele e alma. 


Posso já ver, distante, a serra do porto prometido,

Aves litorâneas trazem canções aos meus ouvidos.

Nauta que sou, manobro ao cais com toda calma.


Ria de Combarro, Galiza, 2026

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