domingo, 23 de abril de 2017

desperta, Porto Alegre

Desperta, Porto Alegre, deste pesadelo
Funkeiro, carnavalesco, bagaceiro!
O caos deste mau sonho não é teu,
É de um povo estrangeiro.

Imaginaste outro mundo possível
Com ideais “à gauche”, adolescentes,
Mas no real é que tu foste incrível
Ao integrar minorias e indigentes.

Desfaz as sombras da inconsciência,
As quais, sabe o Tempo, não mereces:
Incultura, drogadição e violência.
Despe a fantasia que outros tecem!

Surgiste com os primeiros casais
Açorianos, e africanos, alma em prece,
E com alemães, judeus, italianos, pais
Da melhor Educação que se conhece.

A história escrita por teu povo
Com estudo e trabalho, com ciência,
Concretizou o velho mundo neste novo,
A buscar prosperidade e consciência.

Sê teu melhor, deixa o lixo,  lê o livro,
Desintoxica-te da Cultura de Latrina,
Rompe a teia que sufoca a alma livre
E lança luz sobre a América Latina.





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terça-feira, 18 de abril de 2017

Henri Marie Raymond Toulouse-Lautrec Monfa

Vejo-te a manquejar na noite, de bengala,
Cobrindo a cabeça  com um chapeuzinho,
A visitar bordéis por distantes caminhos
Do centro de Paris, onde te instalas.

O mundo é tua sala, tu és sempre sozinho
Ainda que estejas em meio a tanta gente,
Esboçando rostos, corpos, a beber um vinho:
Tu és sempre o diverso, observador ausente.

"O que fiz de minha vida?", te perguntas, "pouco
Fiz", tu pensas, enquanto trabalhas os esboços.
"Eu, ébrio artista, rengo, nobre e meio louco".

Mal sabes tu o quê a humanidade espera:
Tuas cores e teus traços inspirados em Degas
Para descobrir em ti visões da Nova Era.









terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Filmes

Não sou expert. Gosto de alguma coisa. Da maior parte, não. Mas me parece sintomático a forma como as pessoas fazem análises sobre o Cinema no FB. Revela um pouco como fazem afirmações sobre a vida em geral.
Li uma frase bombástica, escrita por um jovem facebookiano: “O Cinema, quando se transforma em Política não é mais Arte”. Bonito. Estúpido.
Cinema é uma atividade humana, na qual entra de tudo: algo de arte, algo – na verdade, muito- de entretenimento, obviamente política, alguma filosofia, grande quantidade de “espírito do tempo”, visão de mundo...Cinema pode ter isto tudo. O bom cinema também. Há filmes, com forte conotação política que serviram como propaganda a países e governos, e que são excelentes como cinema. Outros são péssimos. Há filmes de guerra, ou westerns, que são belíssimos. Há filmes pacifistas que são um lixo. Há filmes franceses da década de 60 que são verdadeiros medicamentos: purgantes, vomitórios, ou soporíferos. Há filmes cultos cuja pobreza se revela no esquematismo óbvio. Volto aos franceses: produziram obras esquemáticas de grande sucesso para defender o que consideram politicamente correto: eutanásia, suicídio, ideologia marxista ...verdadeiro repositório de porcarias relegado ao esquecimento por sua chatice pretensiosa. Há filmes experimentais que merecem uivos além de vaias. Mas há histórias bem contadas, singelas, sobre a experiência diária das pessoas que são primores da Arte. Há dança e romancezinhos, há Fred Astaire, há Ginger Rogers, há mocinhos e bandidos. Há coronéis, traficantes e prostitutas dos filmes brasileiros para quem gosta...
Há quem fale da decadência dos filmes atuais esquecendo o que era o “cinema pastelão” dos inícios, as “maravilhosas obras” oscarizadas interpretadas pelo Schwartzenegger, o cinema de efeitos especiais. Mas mesmo aí há séries brilhantes de filmes que mesclam science fiction com maravilhas da tecnologia de imagem.
Visconti era gênio, mestre, iluminado. Mas nem todos são Viscontis. Há bons diretores fazendo obras de qualidade, e há quem ganhe dinheiro para fazer filmes sobre a vida do Lula. Há quem consiga, através do Cinema, colaborar com a iluminação das consciências, assim como há quem busque denegrir a vida coletiva, pregar a criminalidade, o terrorismo, a prostituição, a banalização do Mal. E haverá público, porque o nível, a saúde ou a perturbação dos assistentes é o que conta e varia ad infinitum.
Como não sou experto no assunto, a mim parece que o cinema, como a música, é de todos, quero dizer, gostar e desgostar é uma questão individual.
E a responsabilidade pelos efeitos deletérios, incluindo a atitude alienada, de uma obra de arte, como do cinema, é dos envolvidos na criação da obra. E dos pais de quem assiste o lixo (e às vezes o imita), os quais deveriam ter ensinado, como fez Platão em algum momento em relação à Poesia: “é apenas cinema, não confunda com a Realidade, não transforme em Política”.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Calina


Suave névoa alaranjada
Vem velar a paisagem:
Areia do deserto de Saara
A chegar de viagem.

Não é fumo, ou vapor,
Não é fog, nem é bruma:
É o chão da pátria dos berberes
A mover-se desde as dunas.


https://cdn1.newsplex.pt/fotos/2017/2/23/570852.JPG?type=Artigo

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

zen

Deixa
A água cair
O fogo queimar
Deixa
O tempo fluir
O corpo cansar
Deixa
A dor moer
A mente brilhar
Deixa
O amor viver
A paixão passar
Deixa
O homem perder-se
O homem se achar
Deixa
O erro mentir
A verdade calar

Deixa

Porque sem deixares
Tudo isto se passa
E em vão
Tu te queixas

Então vive
A vida 
E deixa a vida
Seguir
Como 
Bem
Queira

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

intuição

A verdade desconhecida
Poreja sempre dos fatos
E espalha perfume raro
De inconsciente saudade.

Antes de ser provada
É intimamente sabida
E ao prová-la, por isto,
É tão óbvia a verdade:

Essência que falta à vida.





domingo, 22 de janeiro de 2017

Alma de artista

אֶהְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה, 


Tenho a alma exposta nas mãos,
Fluem-me as palavras a movê-las,
Escorrem-me cores pelos dedos,
Pelos poros, a suar, a alma exalo.

Pelos olhos sinto a alma a envolver
Os olhos de quem me olha a face,
E o sorriso é minha alma a mostrar-se
Assim, nua, alminha sem disfarce.

Meu coração bate por ela, e a mente
Conta histórias, diz uns versos, sente
O que ela lembre, sonhe, ou invente.

Já sofreu minha alma, e era evidente,
Mas hoje, em uns poemas, diz às gentes:
Sou o que sou, (uni)versos em catarse.



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

adjetivos e suas surpresas

Não há nada mais Americano
Que um negro americano
Cantando,

Nada mais Ocidental
Que um japonês.

Não há nada mais Brasileiro
Que um paulista
Em protesto
Na Paulista.

Não há nada mais futurista
Que uma casa branca
Num campo não poluído,
Nem mais urbano
Que um condomínio
Sem graffiti.

Não há nada mais ousado
Que a garotada a curtir Handel.

Nada mais fora de moda
Que piercing e tatuagem,
E sexo sem proteção
Ou com qualquer um.

Nada mais velho
Que sentimentalismo bobo
Aplicado à Política,
Ou à (má) poesia.

Não há nada mais descrente
Que um crente
A repetir versículos,

Nem mais religioso
Que um cético astrofísico
A falar sobre
Infinitos
Multiversos.


sábado, 26 de novembro de 2016

o herói do povo

Fidel Castro morreu

Com quantas vítimas se constrói um ídolo?
Com quantas mortes se edifica o herói?
Mortes de corpo e alma: mortos-vivos,
E os mortos por faca, forca, carabina.

Com quantos infernos institui-se um paraíso?
Quanto de miséria transvestida de riqueza, 
E gritos no calabouço silenciados por hinos?
Com quanto de pequenez encena-se grandeza?

Com quanto de violência se simula a Paz,
E de indecência proclamando-se a Utopia?
Com quanta mentira se calam as consciências?

Quanto de atraso implica um Novo Mundo,
Quanto de descaso, crueldade, mal profundo
Para haver o herói do povo e sua audiência?










domingo, 25 de setembro de 2016

mistério

Cada um de nós é
Formiga, átomo,
Grão de poeira,
Tão pequeno quão grande
For a lente que se use,
Ou a escala que se queira,
Mas pelo mistério
De haver Consciência
Em torno de cada um
Gira o Universo
E é para cada um
Que o Infinito escreve

Música e Verso.






sexta-feira, 2 de setembro de 2016

velho delírio fazendo estrago

"eu não luto pela Democracia, eu luto pela Nova Civilização" (Mujica)


Esta bagunça nas ruas não tem apenas a ver com a saída da presidência desta senhora. É mais. É a prova cabal de que a esquerda brasileira radical voltou para o lugar de onde veio. Melhor ainda,  ao lugar de onde nunca deveria ter saído. O PT (PSOL, PSTU, e grupos aparelhados) que representam o que há de mais retrógrado na política nacional, os ideais da primeira metade do século XX, não mereceram o poder e voltam à periferia. Agredirão pessoas, destruirão o patrimônio público, usando a massa de manobra que sempre usaram:  a garotada em busca de um sonho e com algum distúrbio psíquico, e outros muitos idiotas desinformados. No confronto, tentarão fazer algumas vítimas entre a massa de manobra, alguns mortos ou gravemente feridos para afirmar na TV ou nos jormais que vivemos numa ditadura e o quanto é o odioso o “Sistema”. Enfim, serão como gostam as vítimas, os heróicos no combate. O mundo já conhece isto tudo ad nauseam.
Mujica, aquele que muitos admiram, como é um destes mas um pouco mais honesto intelectualmente, deu a dica do que se passa. Ele disse uma destas frases que parecem grandiosas para os incautos, mas que revelam o que há de pior neste grupo para quem já viu este filme: “Eu não luto pela Democracia, eu luto por uma uma Nova Civilização”. Ou seja, Gramsci não funionou na América Latina, assim como não funcionou na Europa. Ainda mais, o Comunismo é incompatível com a Democracia. O Partido pode até chegar ao poder pelo voto, mas não poderá fazer o que quer, mexer no dinheiro e na poupança das pessoas para fazer revolução. Não lhe será permitido “tomar o poder”, apenas cumprir as tarefas constitucionais correspondentes a um agrupamento de funcionários públicos e, no caso de que tente fazer isto, por exemplo mandar dinheiro público de um país a outro, em segredo, para reforçar os ideais comunistas em outros lugares, especialmente se for em segredo, será destituído do poder. Porque o dinheiro é dos indivíduos brasileiros, não do Partido. O Partido, seja de esquerda, de direita, ou cor de laranja, não terá nunca poder sobre a vida das pessoas, incluindo sua grana.
Presidente, vice, deputado, senador, são funcionários públicos e o
país tem o direito de demití-los se agirem fora das regras democráticas. Este presidente, ídolo popular, que faz estrepolias com os países e povos, que manda matar em nome dos ideais do Partido, destrói a Economia como bem queira, é incompatível com a Democracia! Isto está evidente na Venezuela. Acabaram com o país.
Mujica, portanto, diz que o objetivo deste grupo não é e nunca foi a democracia. Só os tontos acreditaram nisto. É uma "Nova Civilização, a refundação do Mundo, a criação de um Novo Homem". Ou seja, o velho Partidão que, no seu afã idealista, matou milhões de russos “comuns”, prendeu e deportou para a Sibéria outros milhões com o objetivo de “reeducar-lhes o pensamento”. É o mesmo Partidão do Mao, aquele sanguinário déspota da Revolução Cultural. É o mesmo lixo ideológico, socialista internacional que, na sua loucura, despertou outra insanidade, o Socialismo Nacional da mais triste memória.
Mujica disse, em outras palavras: Gramsci não funcionou. Dirá viva os bolcheviques? Viva Lenin ou, por que não, Stalin? Duvido.
Na verdade, eles que continuem com seu sonho, seu espiritualismo enrustido. Porque é isto. Projetam o seu pior nos outros e sonham impor ao mundo o ideal de "reforma íntima" ou de "salvação" que interiormente não realizam. Sartre estava errado. O inferno não são os outros! O Inferno não está fora. O inferno é o que falta dentro do idealista. Mas aí já é outro papo.
Que vivam o seu pesadelo, mas não o imponham a ninguém.
Que o PT faça bom uso das ruas. Ele já não está no poder.
Só não estrague o que não lhe pertence, o patrimônio público.
E não creia que vamos engolir sua vitimização, ou que vamos aceitar que façam vítimas inocentes de modo impune!

O povo brasileiro já conhece esta corja de outros carnavais...