sábado, 14 de julho de 2018

sentidos da manhã




Vi nascer a manhã e era luz
De prata rósea, brisa fresca
E suave névoa lá na serra, 
Como a primeira manhã
Que vi na vida.

Dei ao meu coração a alegria
Do renascer de olhar menino
Fruindo a seiva da beleza
Por todos os sentidos
De haver uma manhã.



domingo, 1 de julho de 2018

a voz


Espalha-se a voz.

Quem a ouve pequena,
Piados de ave, 
Gotejos, chiado
De água corrente, 
Suspiro de gente,
Passos no piso,
O beijo preciso,
Bons-dias, olás, 
Não sabe ouvir
A voz que isto é 
E o que ela diz.

Só quem percebeu
O imenso em que imersos
São campo e cidade,
Consegue entender
A simples verdade
Que a voz enuncia

E o que é a Poesia.






sábado, 23 de junho de 2018

percepção




Abre-se espaço no meu peito,

Uma memória a dilatar-se,
Rio que retoma o seu leito,
Rota a couraça de um disfarce.

Sinto emoção que reconheço,
Menina iluminada de Rembrandt,
Luz que havia ali desde o começo
E eu pensava vir do amanhã.

Era momento de espera

E eu confundia com Esperança.
Não era alguma Nova Era,
Mas sentimento de criança.






quinta-feira, 14 de junho de 2018

consequências psicológicas da aborto

Dias de debates acalorados, abastecidos por partidarismos políticos, sobre o aborto na Argentina. Culminando com festa nas ruas. Um assunto grave, tratado como partida de futebol.

Publico abaixo, em anexo, um artigo sobre as consequências psicológicas do aborto, um tema tabu neste mundo contemporâneo abastardado por ideologias.

Infelizmente, apenas para os que sabem inglês.

Abraço.

https://www.ieb-eib.org/en/pdf/20170215-en-consq-psy-abortion.pdf





sábado, 9 de junho de 2018

o sagrado


Nasce a vida entre dejetos.
Original supernova
Fluída do ventre, mistério
Envolto em espaço-tempo.

O maior tesouro se expõe
No róseo veludo animal e
O segredo do sangue revela
Os ardores da divindade.

De onde nos vens, criança,
De que lonjuras e história?
Que línguas fala teu choro?
Qual sonho verte tua vinda?

A vida de qualquer um,
Lírio encarnado na lama,
É a redenção do universo
Que outro nenhum trará

E o ser enfermo que vês,
"Inútil, indigno, demente",
É a mesma estrela do Oriente
No rumo ao Poente traçado.

Evento sagrado da vida
É o morrer de qualquer um,
Chegado na hora precisa
Que a ninguém cabe trair:

Que o tempo próprio desnude
O mistério deste deus
Vindo a padecer no mundo

Para o mundo renascer.