O amor desatento
Vai deixando os seus rastros:
Pedaços de ilusão,
Usados e esquecidos.
Brasas da paixão,
Chamas consumidas.
Botes de salvação,
Entradas e saídas.
Brisas de emoção
Que já foram tempestades.
Palavras ditas em vão
Que calaram mil verdades.
Fotos em preto-e-branco
Que já foram coloridas.
Bilhetes, cartas,
Presentes, e as coisas
Escondidas
Dentro de caixas guardadas
A sete chaves, no armário.
Ursinhos de pelúcia, bombons,
Os santos sudários,
Manchados com o sangue quente
Dos amantes incendiários.
O amor desatento
Vai deixando os seus rastros,
Que têm a tristeza da terra
E o fogo eterno dos astros
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