quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O amor desatento (poema de 1995)

 O amor desatento

Vai deixando os seus rastros:

Pedaços de ilusão,

Usados e esquecidos.

Brasas da paixão,

Chamas consumidas.

Botes de salvação,

Entradas e saídas.

Brisas de emoção

Que já foram tempestades.

Palavras ditas em vão

Que calaram mil verdades.

Fotos em preto-e-branco

Que já foram coloridas.


Bilhetes, cartas,

Presentes, e as coisas 

Escondidas

Dentro de caixas guardadas

A sete chaves, no armário.


Ursinhos de pelúcia, bombons, 

Os santos sudários,

Manchados com o sangue quente

Dos amantes incendiários.


O amor desatento

Vai deixando os seus rastros,

Que têm a tristeza da terra

E o fogo eterno dos astros




Nenhum comentário:

Postar um comentário