sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Sobre a mortalidade infantil no Brasil (ou "a falência das políticas públicas no Brasil", ou "as décadas perdidas")

Na década de 60, época dos governos militares no Brasil, passou a haver um decréscimo virtuoso da mortalidade infantil, tendo esta tendência da bem-vinda redução das mortes infantis desacelerado a partir de 2013. Um fato chocante.

O decréscimo desde a década de 60 dependeu de múltiplos fatores, incluindo as campanhas internacionais para o uso da reidratação oral no tratamento das diarreias infantis, especialmente nos países em desenvolvimento.  Além da vacinação massiva das doenças transmissíveis como o sarampo, e melhorias das condições de saneamento básico e moradia, bem como da qualidade do atendimento público à Saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS),  criado em 1990, foi desenvolvido e aperfeiçoado ao longo de décadas, num esforço suprapartidário, envolvendo os diversos agentes políticos que governaram o Brasil neste largo período, tornando-se uma referência internacional de sucesso. Por exemplo, durante o governo do Prof. Dr. Fernando Henrique Cardoso, passou a haver a distribuição de medicamentos genéricos, beneficiando o atendimento à população em geral. Além disto, o Brasil conta com as Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica, a qual, como tem sido ao longo da História desde a conversão do Imperador romano Constatino, lá por 300 d.C., funciona como fonte inspiradora e dinamizadora de toda a ajuda e proteção aos desfavorecidos, às crianças, aos doentes crônicos. Conste aqui que eu não sou católico, não sigo uma religião formal.  No Brasil, através da "Pastoral da Criança", sob a coordenação da pediatra Zilda Arns, falecida no Haiti em 2010, ocorreu um grandioso esforço popular de atendimento às regiões mais carentes do país, com a ajuda de inúmeros brasileiros voluntários, indo de casa em casa, pesando as crianças e levando tratamento à desidratação recorrente e à desnutrição calórico-proteica que ainda mata os menores do Norte e do Nordeste do país. 

A realidade é que a partir dos governos petistas, conforme dados do IBGE, analisados em estudo recente produzido no Rio Grande do Sul, a redução da mortalidade infantil no Brasil estagnou, indicando uma piora nos índices de qualidade de vida dos brasileiros. A mortalidade infantil brasileira, especialmente nas regiões mais pobres do país, continua a ser maior que a dos demais países latino-americanos, mas as regiões brasileiras mais desenvolvidas passaram a apresentar, nestes tristes tempos, um incremento da favelização e a estagnação do decréscimo da mortalidade de crianças menores de 5 anos.

Referência (uma de muitas):
https://ftp.ibge.gov.br/Tabuas_Abreviadas_de_Mortalidade/2010/tabuas_abreviadas_publicacao_2010.pdf.

Fundamental:

Marcos Otávio Brum Antunes. Desaceleração na redução da mortalidade em crianças menores de cinco anos: Evidências de estagnação em regiões desenvolvidas do Brasil. Tese de Doutorado em Pós-Graduação em Pediatria e Saúde da Criança. Orientador: Marcus Herbert Jones. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. 2025.



domingo, 5 de outubro de 2025

Os pseudo-sábios digitais

Os brasileiros, incluindo profissionais de quem se esperaria estudo sério, usam informação da internet, incluindo textos gerados por Inteligência artificial como se estivessem estudando, ou lendo as referências corretas e indispensáveis para obter conhecimento. Além de pura criatividade (falsas informações).  É um estudo às avessas, feito para alimentar conversas e posts, com uma erudição de aparência, e trazer novidades de Ciência ou Política aos demais. 

O resultado chega a ser hilário, embora, na verdade, seja triste, para o estudioso que os escuta ou lê. 

As conversas, presenciais ou os posts na internet, tornaram-se um “samba do crioulo doido”. 

Quem tem-se esforçado, ao longo dos anos, com paciente estudo para obter algum verdadeiro conhecimento, tem vontade de dizer: “Cala a boca, Magda”!