Na década de 60, época dos governos militares no Brasil, passou a haver um decréscimo virtuoso da mortalidade infantil, tendo esta tendência da bem-vinda redução das mortes infantis desacelerado a partir de 2013. Um fato chocante.
O decréscimo desde a década de 60 dependeu de múltiplos fatores, incluindo as campanhas internacionais para o uso da reidratação oral no tratamento das diarreias infantis, especialmente nos países em desenvolvimento. Além da vacinação massiva das doenças transmissíveis como o sarampo, e melhorias das condições de saneamento básico e moradia, bem como da qualidade do atendimento público à Saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS), criado em 1990, foi desenvolvido e aperfeiçoado ao longo de décadas, num esforço suprapartidário, envolvendo os diversos agentes políticos que governaram o Brasil neste largo período, tornando-se uma referência internacional de sucesso. Por exemplo, durante o governo do Prof. Dr. Fernando Henrique Cardoso, passou a haver a distribuição de medicamentos genéricos, beneficiando o atendimento à população em geral. Além disto, o Brasil conta com as Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica, a qual, como tem sido ao longo da História desde a conversão do Imperador romano Constatino, lá por 300 d.C., funciona como fonte inspiradora e dinamizadora de toda a ajuda e proteção aos desfavorecidos, às crianças, aos doentes crônicos. Conste aqui que eu não sou católico, não sigo uma religião formal. No Brasil, através da "Pastoral da Criança", sob a coordenação da pediatra Zilda Arns, falecida no Haiti em 2010, ocorreu um grandioso esforço popular de atendimento às regiões mais carentes do país, com a ajuda de inúmeros brasileiros voluntários, indo de casa em casa, pesando as crianças e levando tratamento à desidratação recorrente e à desnutrição calórico-proteica que ainda mata os menores do Norte e do Nordeste do país.
A realidade é que a partir dos governos petistas, conforme dados do IBGE, analisados em estudo recente produzido no Rio Grande do Sul, a redução da mortalidade infantil no Brasil estagnou, indicando uma piora nos índices de qualidade de vida dos brasileiros. A mortalidade infantil brasileira, especialmente nas regiões mais pobres do país, continua a ser maior que a dos demais países latino-americanos, mas as regiões brasileiras mais desenvolvidas passaram a apresentar, nestes tristes tempos, um incremento da favelização e a estagnação do decréscimo da mortalidade de crianças menores de 5 anos.
Referência (uma de muitas):
https://ftp.ibge.gov.br/Tabuas_Abreviadas_de_Mortalidade/2010/tabuas_abreviadas_publicacao_2010.pdf.
Fundamental:
Marcos Otávio Brum Antunes. Desaceleração na redução da mortalidade em crianças menores de cinco anos: Evidências de estagnação em regiões desenvolvidas do Brasil. Tese de Doutorado em Pós-Graduação em Pediatria e Saúde da Criança. Orientador: Marcus Herbert Jones. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. 2025.
