segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Estranho poema sobre Poesia



A fruição da beleza gera a poesia,

Ou a dor, esta fera que, ao roer o fundo,

Faz aflorar o magma ao mundo:

Tragédia e salvação.


A poesia, ou brota da emoção, 

Exaltação dos sentidos,

Ou da suave edificação dos sentimentos.


Nasce da eternidade percebida

Ou do tremor dos minúsculos,

Frágeis, momentos.


A poesia reza ou conjura,

Faz ruir as bases, ou as costura.

A poesia, pura e impura,

É breve, ou morre o homem e ela perdura.


É imensa então, a poesia, 

Voz jamais muda do humano

A decifrar e descrever a vida.


Canto do cego aedo, lúcido ou insano,

Ao estampar na carne da alma

A História que o sábio estuda.






domingo, 16 de agosto de 2026

Carta aos amigos

Despido da antiga pátria, minha história digerida,

Tão perto do que serei e tão longe do que hei sido,

Comemoro com sol e brisa o nascimento do dia.


Ponho tintas nos pincéis, traço ideias, crio tons,

Ouço o mundo, seus gorjeios, ruídos, vozes: os sacros sons.


Saco do fundo do peito o tesouro dos meus dons

E fruo o que tenho direito: 

Viver o que é belo e bom.



O Grove


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O eclipse em duas eras

Hoje, pelas 18 horas no horário de Lisboa, vai haver um eclipse solar total em parte de Portugal. 

O último eclipse deste tipo ocorreu em 1912. E eu lembrei o que a nossa vó portuguesa me contou sobre aquele dia, que demonstra o quanto o mundo mudou para melhor (em alguns aspectos, pelo menos). 

A avó Maria Rosa Januário dos Santos me disse que quando o sol desapareceu, houve pânico na região do Algarve onde eles viviam. Não sei exatamente se ainda era no Almancil ou já em Olhão.

As mulheres saíram aos prantos para a rua, levando velas acesas, a pedir perdão pelas culpas do mundo, que estava acabando, e a implorar a Deus pela volta da luz do sol…

Acho até poético, mas que boa é a evolução do conhecimento científico e a eliminação do medo e das superstições. Viva o método científico.

Adorei ter lembrado disto e das muitas falas de minha vó.



terça-feira, 11 de agosto de 2026

Os vôos de um poeta

 

Brisas frias chegam na varanda,

Vindas dos ares de Compostela,

A repetir nesta manhã de estio 

A notícia de que a vida é bela.


Esta Boa Nova que eu percebo

Vem da brisa ou deste coração,

Ainda a pulsar sob a camisa?


As aves esvoaçam desde o mar

Em grandes bandos, volteando

Sob o sol, cantam felizes a voar.


É por amor a estar revoando

Que vêm do oceano a gorjear?

Ou é o poeta, ao estar voando,

Quem ama vê-las em bando a cantar?


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Estaria o Brasil envolvido num programa nuclear envolvendo o criminoso de guerra Putin, o regime comunista chinês e o totalitarismo iraniano, entre outros?

Fui atrás desta informação, que me deixou muito curioso e preocupado. Eis o resultado da pesquisa com a busca: nuclear program including BRICS... Parece ser verdade: o Brasil estaria coordenando um programa junto ao criminoso de guerra Putin, o regime comunista chinês, o regime totalitário iraniano e outros. Traduzindo ao português:

"O bloco econômico BRICS coordena objetivos no setor nuclear civil por meio da Plataforma de Energia Nuclear do BRICS, uma aliança estabelecida em outubro de 2024 para promover a cooperação em energia limpa, compartilhar tecnologia do ciclo do combustível e alinhar cadeias de suprimentos entre Estados-membros e parceiros, como Rússia, China, Brasil, África do Sul e Irã. Estrutura e Membros – Aliança Principal: Conecta órgãos nucleares estatais e empresas comerciais, incluindo a Rosatom (Rússia), a CNNC (China) e a NECSA (África do Sul). Nações Parceiras: Abrange a articulação com potenciais membros ou membros associados e regiões ricas em recursos, incluindo Bolívia, Etiópia, Egito e potenciais fornecedores de urânio, como a Namíbia. Capacidades Conjuntas: O bloco representa quase um terço da capacidade nuclear operacional mundial e uma maioria substancial dos reatores atualmente em construção em todo o mundo. Principais Áreas de Foco – Reatores Modulares Pequenos (SMRs): Desenvolvimento conjunto e compartilhamento tecnológico de projetos de reatores compactos para abastecer redes isoladas e infraestruturas de dados de alta demanda. Ciclo do Combustível e Urânio: Mapeamento cooperativo de recursos, iniciativas de extração de urânio (como a assistência técnica russa no Brasil) e fabricação localizada de combustível. Padronização e Capacitação: Educação profissional transfronteiriça, alinhamento regulatório e programas de intercâmbio de mão de obra (como fóruns técnicos conjuntos e cúpulas de jovens sobre energia). Pessoalmente, considerando os membros coligados, eu descartaria as justificativas bom-mocistas desta união lamentável.


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Uruguai e a liberação do uso da cannabis

Como funcionaram as medidas “progressistas” que visavam resolver a questão do tráfico de drogas no Uruguai através da liberação do uso de cannabis? Reduziram a criminalidade?

Pois a violência geral e a relacionada ao tráfico de estupefacientes foram potencializadas ao longo destes anos no Uruguai. Só em Montevidéu atualmente lutam entre si 49 bandas criminosas, com múltiplos assassinatos e violência urbana contra os cidadãos. 

O PCC do Brasil faz a sua festa macabra! 

Um trabalho epidemiológico a ser desenvolvido pelos médicos uruguaios deveria buscar identificar o aumento de distúrbios psiquiátricos no país, especialmente entre adolescentes. 

Uma pena! Um país que já foi exemplo de segurança pública.

Tudo isto desde Mujica e seus “compañeros”…

Sobre Ivermectina, terapias alternativas, práticas médicas irresponsáveis e as "novidades" médicas divulgadas na TV e nas redes sociais

Sobre a investigação de novos medicamentos e também de segunda indicação de medicamentos já aprovados para outro uso clínico:

Os resultados de estudos em animais envolvendo qualquer droga não indicam eficácia. Estes estudos pré-clínicos servem como etapa preparatória para a avaliação de segurança do medicamento, análise de farmacodinâmica e farmacocinética e o cálculo da dose segura, exclusivamente para o início do estudo clínico.

A fase 1 clínica, ou seja, em pessoas, utiliza 1/10 da dose do estudo pré-clínico, em pequena amostra de voluntários, constando de apenas 3 doses consecutivas, e constituindo a primeira etapa de avaliação da eficácia e dos efeitos adversos da droga.

A fase 2 (com as etapas 2a e 2b), envolve maior número de participantes, entre 200 e 500 pessoas, de modo aumentar a possibilidade de confirmar eficácia e segurança para uma determinada indicação terapêutica.  A busca por reações adversas é ainda mais exaustiva. Medicamentos já aprovados para outra indicação médica não necessitam passar pelos estudos pré-clínicos e pela fase 1, devendo ser testados a partir da fase 2. 

A fase 3 envolve estudos multicêntricos internacionais com milhares de participantes (mais de 3 mil pessoas), visando aprofundar os aspectos estatísticos e de poder do efeito terapêutico relacionados à eficácia e ao risco da droga analisada. Mantém-se a busca extensiva e cuidadosa dos possíveis efeitos adversos. 

Todas as fases clínicas envolvem, portanto, a monitorização de reações adversas e a comparação, quando possível, com o melhor tratamento já existente no momento do estudo (o padrão-ouro), ou com placebo.  Havendo ocorrência de efeitos adversos graves, o estudo clínico é interrompido.

Estudos pré-clínicos em modelos animais não servem para liberar o uso de uma droga nem para confirmar sua eficácia em seres humanos. Experiências individuais, sem controle, pelo menos, por placebo,  podem envolver todo tipo de viés e não servem como referência. 

Só após a fase 3 pode haver a liberação para uso do medicamento pela população, num período sem limitação de tempo e sem cálculo amostral, denominado fase 4, na qual se mantém a análise da efetividade e a busca sistemática pelas agências nacionais de saúde (FDA, EDA, INFARMED, ANVISA, etc...) das  reações adversas ao medicamento em situação menos controlada do que nas amostras das fases anteriores.

Em situações específicas, como na AIDS, no câncer, em pandemias, ou num evento de bioterror, por exemplo, em que a pesquisa de uma droga eficaz deve ser realizada o mais breve possível, as fases são condensadas e agrupadas,  digamos, fase 1 com fase 2A, de modo a identificar a eficácia e os efeitos adversos. Busca-se, nesta situação de urgência, oferecer à população afetada o acesso à nova terapêutica, caso a eficácia e a segurança tenham sido adequadamente demonstradas até então. Assim foi durante a pandemia causada pelo COVID-19.  Aliás, o uso em larga escala de vacinas baseadas numa metodologia inovadora que chegou a bloquear a tragédia desta pandemia ficou registrado para o futuro da Humanidade  como uma  inegável vitória das ciências médicas, biomédicas e farmacológicas. Após a liberação para o uso assistencial destas vacinas, continuam, como para todos os medicamentos, a busca por drogas cada vez mais eficazes e a triagem de efeitos adversos. No caso de outras vacinas (contra a varicela,  papilomavírus, rotavírus, influenza, e tríplice viral, ou seja, contra sarampo, caxumba e rubéola), o tempo do seu desenvolvimento, não sendo em modo de fast-track, durou no mínimo entre 18 e 35 anos, mantendo-se ainda agora e futuramente a vigilância dos efeitos adversos e análise da efetividade. Não há relação entre autismo e o uso de qualquer uma destas vacinas.

Aos colegas médicos, farmacêuticos e biomédicos, e mesmo ao público em geral, todos afetados nas redes sociais por ideologias políticas, filosóficas e pseudocientíficas, eu sugiro que busquem, por favor, nos sites de medicina e farmacologia, informações sobre a eficácia e a segurança da ivermectina para COVID-19 em estudos internacionais amplos. Inexiste qualquer indicação do seu uso. Leiam as referências que listo abaixo sobre a regulação dos estudos de investigação de medicamentos. É algo fundamental nestes tempos malucos! 

Não creiam em fanáticos, doidos, idiotas desinformados e mal-intencionados. Sobretudo, não busquem conhecimento com youtubers e influencers.

Não seja mais um tolo pescado nesta rede de teorias conspiratórias. 
Misturar investigação clínica com política e ideologia é trágico. O que houve no período Bolsonaro, como o que ocorre atualmente nos Estados Unidos, é vergonhoso. Com a diferença de que, no período Bolsonaro, o governo adquiriu vacinas de melhor qualidade e a campanha de vacinação em larga escala do Ministério da Saúde permitiu o controle da epidemia da COVID-19 no país. Nos Estados Unidos, a administração federal é antivacina (o que é uma insanidade). 

Pesquise, ainda, sobre a “Medicina Desumana” nazista e a negação da teoria da evolução pelos soviéticos. Ambas mataram muita gente. 

Vide (sobre a negação da teoria da evolução pelos soviéticos):
https://paideiapensamentoepoesia.blogspot.com/2025/07/a-ilusao-das-ideologias-e-o.html

Referências (sobre a ética da investigação clínica em humanos):

Goldim, JR. A avaliação ética da investigação científica de novas drogas: a importância da caracterização adequada das fases de pesquisa. Rev HCPA 2007;27(1).

Goldim, JR. O uso de drogas ainda experimentais em assistência: extensão de pesquisa, uso compassivo e acesso expandido. Rev Panam Salud Publica/Pan Am J Public Health 23(3), 2008.

Dingwall R & Rozelle Viena. The Ethical Governance of German Physicians, 1890-1939: Are There Lessons from History? The Journal of Policy History, Vol. 23, No. 1, 2011.

Marchetti F. Autismo, paracetamolo e vaccini: quando la retorica politica sfida le evidenze scientifiche [Autism, acetaminophen, and vaccines: when political rhetoric challenges scientific evidence]. Recenti Prog Med. 2026 Feb;117(2):83-86. Italian. doi: 10.1701/4649.46622.

Medical Research Ethics: Challenges in the 21st Century. Zima T & Weisstub DN (eds.). Springer Verlag (2023) 






domingo, 2 de agosto de 2026

Ares do Norte (no câmbio climático)



Desde o mar, lentas nuvens a mover-se

Empurradas do Atlântico por brisas

Sobrevoam as ruas de Valença

Para arejar a ardente Ibéria sem camisa.


O rio Minho vem cantando em galego

As canções dos celtas em seus castros,

Destas terras frias e enevoadas,

Num Portugal-Espanha sem divisa.


Respiro fundo a sorver a aragem fresca.

Nestes calores, o ar do Minho nos refresca...