quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Sobre Ivermectina, terapias alternativas, práticas médicas irresponsáveis e as "novidades" médicas divulgadas na TV e nas redes sociais

 Sobre a investigação de novos medicamentos e também de segunda indicação de medicamentos já aprovados para outro uso clínico

Os resultados de estudos em animais envolvendo qualquer droga não indicam eficácia. Estes estudos pré-clínicos servem como etapa preparatória para a avaliação de segurança do medicamento, análise de farmacodinâmica e farmacocinética e o cálculo da dose segura para o início do estudo clínico.

A Fase 1 clínica, ou seja, em pessoas, utiliza 1/10 da dose do estudo pré-clínico, em pequena amostra de voluntários, constando de apenas 3 doses consecutivas, e constituindo a primeira etapa de avaliação da eficácia e dos efeitos adversos da droga.

A fase 2 (com as etapas 2a e 2b), envolve maior número de participantes e aumenta a possibilidade de confirmar eficácia e segurança.  A identificação de reações adversas é ainda mais exaustiva. Medicamentos já aprovados para outra indicação clínica não necessitam passar pelos estudos pré-clínicos e pela fase 1, devendo ser testados a partir da fase 2. 

A fase 3 envolve estudos multicêntricos internacionais com milhares de participantes (mais de 3 mil pessoas), visando aprofundar os aspectos estatísticos e de poder do efeito terapêutico relacionados à eficácia e ao risco da droga analisada. 

Todas as fases clínicas envolvem a monitorização de possíveis reações adversas e a comparação, quando possível, com um padrão-ouro, ou com placebo. 

Estudos pré-clínicos em modelos animais não servem para liberar o uso de uma droga nem para confirmar sua eficácia em seres humanos. Experiências individuais, sem controle, pelo menos, por placebo,  podem envolver todo tipo de viés e não servem como referência. 

Só após a fase 3 pode haver a liberação para uso do medicamento pela população, num período sem limitação de tempo ou cálculo amostral, denominado fase 4, na qual se mantém a análise da efetividade e a busca sistemática pelas agências nacionais de Saúde das  reações adversas ao medicamento em situação menos controlada do que nas amostras das fases anteriores.

Aos colegas médicos, farmacêuticos e biomédicos: busquem, por favor, nos sites de medicina e farmacologia, informações sobre a eficácia e a segurança da ivermectina em estudos internacionais amplos. Leiam sobre a regulação dos estudos de investigação de medicamentos. É algo fundamental nestes tempos malucos!

Misturar investigação clínica com política e ideologia é trágico. O que houve no período Bolsonaro, como o que ocorre atualmente nos Estados Unidos, é vergonhoso. Com a diferença de que, no período Bolsonaro, o governo adquiriu vacinas da melhor qualidade e a campanha de vacinação em larga escala do Ministério da Saúde permitiu o controle da epidemia do COVID-19 no país. Nos Estados Unidos, a administração federal é antivacina (o que é uma insanidade). 

Pesquise, ainda, sobre a “Medicina Desumana” nazista e a negação da teoria da evolução pelos soviéticos. Ambas mataram muita gente. 
Vide:

https://paideiapensamentoepoesia.blogspot.com/2025/07/a-ilusao-das-ideologias-e-o.html

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