domingo, 14 de junho de 2026

Sobre o Cemitério de Pardais

"Os jovens sonham com o futuro, os velhos com o passado. Na minha avançada idade, eu sonho com a Marina, aquela que foi a mulher da minha vida. Tenho oitenta e oito anos e sonho ainda com o nosso primeiro encontro, na Plaza Mayor de Madrid, junto à estátua do rei Filipe III. No seu espanhol melodioso, disse-me que a estátua equestre tinha sido um verdadeiro cementerio de gorriones. Um cemitério de pardais que entravam pela boca do cavalo, mas que, depois, não conseguiam dar com a saída. O pescoço era estreito - ficavam presos naquele soberbo costil. Só em 1931, aquando da implantação da República, após um atentado à bomba que destruiu parte da estátua, se descobriram pequenos ossos de pássaros no ventre do cavalo."

Parágrafo inicial de Cemitério de Pardais, do autor João Morgado

" A idade é o menor sintoma da velhice..."

Mário Quinata, A Vaca e o Hipogrifo




sábado, 13 de junho de 2026

Desconhecidas rias

Rias de Combarro, sul de Galícia


Ser um homem comum

É o que me basta,

Sujeito ignorado,

Sem temer julgamentos 

Como os sofri no passado,

Sem tramar impossíveis futuros,

O exequível presente já  me chega.

Não programar os meus dias:

Que me venham as linhas, tintas, 

Cores, ideias, livros e poesia.

Não planear desconhecidas rotas,

Andar pelos rumos de onde estou

Por ignoradas ruas, sempre novas,

Verdes rios, azul-mar, montanhas, inarráveis rias.