Brotam as horas, eu sigo a fluir na sua corrente,
Rio que não vejo e que nasceu de húmido ventre,
Fruto do amor, nunca apagado, a acompanhar-me
Na correnteza que, ao me levar, sobe montanhas.
Sina estranha é deste fluxo estarmos conscientes,
Como quem sabe o que se esconde, futuramente.
Mas quando atracaremos segue a ser mistério,
(Eterno enigma a nos desafiar com seu império.)
Sei dos caminhos tortuosos, confusos, destas rotas.
Batalhei em tantas lutas, provei vitórias e derrotas,
Conheço cada cicatriz marcada na pele e na alma.
Posso ver, à distância, o vulto do porto prometido,
Aves litorâneas já vêm gorjear aos meus ouvidos...
Nauta que sou, manobro ao cais, com toda a calma.
Ria de Combarro, Galiza, 2026
