quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Frutos do Progressismo Europeu (ou "Seguindo os Passos do Idealismo Alemão")

A eutanásia na Bélgica atualmente é a vergonhosa institucionalização do crime.
Devido ao aumento de centenas de vezes na frequência de casos resolvidos por eutanásia, a regulação legal tornou-se impossível e não se sabe mais claramente quem mata quem e porquê.
Não se fala aqui de evitar terapêuticas fúteis, o prolongamento artificial da vida através de tratamentos inúteis. Deve-se evitar a futilidade terapêutica. Falo do "assassinato piedoso", como dizem no Uruguai.
A eutanásia não se restringe mais aos casos de "sofrimento insuportável". Situações como "descontentamento com os resultados de um cirurgia de troca de sexo" passaram a liberar os médicos a assassinar (dentro da lei) o/a sofredor(a).
Há amplos recursos terapêuticos na Medicina Paliativa para o tratamento de doenças terminais causadoras de grande sofrimento. Contudo, a Medicina Paliativa ficou em segundo plano na Bélgica entre as "melhores condutas médicas" em comparação com o assassinato assistido, que é bem mais rápido e fácil para a Equipe “de Saúde".
Criou-se um novo especialista médico, o "Eutanasista", especializado em matar de modo higiênico com o aval do Estado. Os que não aceitam assassinar "piedosamente" e declaram objeção de consciência começam a ser pressionados por este Estado e pelos colegas a "se adaptar às regras, ou cair fora do Sistema de Saúde".

Sem falar na a eliminação sumária dos doentes mentais, como foi proposto na Bélgica há pouco tempo.

É ou não é o sonho de todo Totalitarismo?
Foi exatamente o mesmo espírito "humanitário" que levou à criação das diversas "soluções" para os "desvalidos do mundo" cuja "vida é indigna de ser vivida", os miseráveis, os retardados, os psicóticos, os homossexuais, os idiotas, os desajustados ao Sistema Político vigente, os ciganos, os poloneses, os judeus, os burgueses capitalistas ou os comunistas (na dependência da ideologia no poder). Até a Solução Final, ou o Expurgo.
O ideal era a eliminação do sofrimento, ou do desajuste, incompatível com o "Outro Mundo Possível", a "Nova Era".
Dramática a situação de alguns países que, por coincidência, foram o berço ou receberam de braços abertos, as Ideologias Totalitárias do século XX. Concretizam em outro contexto a rigidez de sua psicopatia disfarçada de Idealismo.
E quem está na frente disto é novamente a figura do Médico.

Menghele e companhia devem estar comemorando no Inferno...

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Cegonha


Esqueci das minhas raízes.

Estão lá

Mas não as sinto
Como sempre as sentia:
Eu sofria sua falta
Ao afastar-me do berço.

Esqueci-as,

Pois agora eu sou tronco
Caule amplo abrindo ramos
Como braços de onde brotam
Folhas, flores, frutos, e onde
A cegonha vem pousar.

Esqueci das minhas raízes,
Porque agora sou meu lar.


domingo, 20 de janeiro de 2019

viagem

"Amai, liberai" 



Naquela curva do rio
Junto ao sopé da montanha
Libertei um amor que tinha.

Vivia nas minhas entranhas,
E agora voa livre.
Não sei se choro ou se rio.

Restam ainda pela casa
Os seus fios de cabelo,
Seus perfumes e cheiros,
Sua voz, alma e pelos.

Então, vejo de longe a vida.
Ela segue decidida, a mim
Basta-me olhá-la.

Sou memórias, sou partida
De algum lugar para outro,

Sem sair da minha sala.



domingo, 25 de novembro de 2018

impermanência

Pode ser somente um dia
Do que amo nesta vida.
Se assim for, bendito dia,
Serei feliz por haver tido
Seja uma hora, um segundo,
A aqui estar fruindo o mundo.

(Será imensa a hora pequena,
O raso instante, o mais profundo.)

Porque a vida é um presente,
Não um futuro, 
Recebido pela gente.

De graça, 


Divina Graça 
Impermanente.





domingo, 18 de novembro de 2018

Barco em domingo




O Domingo é nublado
E o coração é baldio,
Eu faço o que quero
Do meu vazio.

Menino e brinquedos,
Homem e sonhos,
Artista e símbolos,
Imagens e cores.

Dolce far niente
É o paraíso.
Batel navegante,
Aportar é preciso!

E o porto sou eu,
De fundos canais
E ancoradouro,
Alma de cais.

Abrigado do frio,
Sob acolchoados,
Sou um feliz e vadio
Barco atracado.





domingo, 11 de novembro de 2018

Manhã (lembranças do Brasil)

Deixo às palavras o comando:
Elas cantam, vou dançando,
Elas dançam, vou cantando.
Somos aves a voar, em bando.

Pego tua mão, vamos amando.

Sobre a cidade em sono,
O dia abre os braços, bocejando,
Ele é o dono da casa, há cantoria
Da passarada, nós e as palavras,
Iluminados de lua e sol,
E estrelas se apagando.

Banha-se a serra de luz dourada,
Doura-se o rio negro da estrada,
Douram-se as árvores e os frutos,
A vida retoma cor, despe o luto.

  

Mas noutro canto do caminho
De Natureza perdida,
Dorme ainda no chão duro
Uma criança esquecida.

Mas num canto desta vida,
Canto envergonhado e triste,
Ainda dorme a criança.
Quem saberá que ela existe?

As aves somem do Céu,
Cala-se o canto e chora,
E o pranto faz-se poema
Por esta criança agora.

O dia torna-se gris,
Como pode a luz ser feliz
Se há uma criança pequena
Dormindo sozinha lá fora?