Todo sistema político-econômico coletivista aniquila a riqueza, e assim aniquila-se, por tentar destruir o que há de mais engenhoso e deslumbrante neste mundo: a diversidade dos seres humanos.
segunda-feira, 16 de março de 2026
A riqueza nas pessoas
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Mercado (texto de 1990, sobre coisas do Brasil, antes da IA)
Vendem-se aprofundamentos interiores, técnicas de cura, auto-cura, auto-estima, auto-erotismo, auto-hipnose, auto-diagnóstico. Vendem-se automóveis.
Vendem-se terapias reichiana, freudiana, lackaniana, junguiana, disponibilizadas, a um bom preço se for sem recibo, a discutir com a doutora Fulana.
Vendem-se nasoplastias, mamoplastias, lipoesculturas, abdominoplastias e tatuagens de corpo inteiro.
Vendem-se filosofias, ideologias, “mirações” de Maria, caldos mágicos, plantas amazônicas, ervas curativas, cannabis, e que algum deus, se puder, te ajude depois disto.
Vende-se o método completo de liberação libidinal, com direito a participação em cursos de farras grupais (sem envolvimentos neuróticos passionais).
Vende-se o céu sem esforço e a salvação de todos os pecados no templo da esquina da rua onde moras.
Vendem-se bilhetes de ingresso em grupos de Somaterapia, constelações familiares, Bioenergética, Biodança, e também de Biologia sem vestibular.
Vendem-se manuais para envolvimento afetivo, profilaxias para carapaças emocionais e terapêuticas para traumas de infância e/ou de outras vidas.
Vendem-se a abertura dos chakras para novas realidades, e uma coleção completa da revista Realidade (da década de 70).
Vendem-se coleções de apostilas sobre hata, tantra e raja iogas, ocultismo dos povos nômades do deserto de Gobi, prefaciadas por um mestre sufi.
Vendem-se santinhos de um político pernambucano, e uma fotografia do Che Guevara, com frases proferidas pelo dito cujo lá pelos tempos em que matava homossexuais em Cuba.
Vendem-se os segredos das pirâmides e cristais. Vendem-se contatos com espíritos luminosos e os mestres ascensionados, vendem-se sessões de shiatsu e reiki, além de uma fita cassete com a gravação de “Delírios espirituais” do Gilberto Gil.
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Dispõe-se ainda de alguns valores antigos, a escolher, incluindo bom gosto, seriedade, lucidez, esforço intelectual, crítica, autocrítica e respeito à Ética (estes, em liquidação devido a procura limitada).
Falo dos elementos (poema de 1990)
Derramem-se as águas estancadas,
Rompam-se diques, desfaçam-se represas,
Chovam as nuvens carregadas,
Fluam as fontes da pedra dura,
Desagüem os córregos, os rios, no mar.
Massas de tecido transparente,
Libertem-se, movam-se!
O coração desperta dum longo sono.
Ventos, movam as pás dos moinhos,
Ondulantes trigais, cabelos,
Levantem saias.
Façam cantar as folhas das árvores,
As grandes amplidões, os buracos,
As janelas mal-fechadas, os becos,
Limpem as ruas cheias de papéis
E de coisas inúteis jogadas fora.
Façam curvas, ventos,
Grandes movimentos aerodinâmicos,
Purifiquem o ar!
O coração desperta dum longo sono.
Fogo, brota das entranhas da terra
Em transbordante lava e traz
O sêmen do mundo à superfície .
Funde metais, solda, transforma substâncias,
Produz vapor, movimento, calor, amorna a vida
Que é fria.
Dá-nos a temperatura certa,
Recompõe a face do mundo, a transmutá-lo.
Dissolve o que tem sido assim!
O coração desperta dum longo sono.
Terra, recebe as sementes e as germina,
Come o que é podre, desagrega o que contamina,
Engole o que foi e produz o que será.
Apóia os pés, dá firmeza,
Grande força horizontal
Que sustenta a realidade.
Move-te pelos oceanos, muda a face do planeta,
Coagula-te em maiores partículas,
Agrega e dissemina,
Acolhe raízes e frutifica-as,
Pois esta é a hora esperada
Para que os elementos indistintos,
Recobrem a potência adormecida,
Represada, quase sumida,
Mas viva,
Homem ereto!
Viagens - (poema de 1997)
Paris é tão chique,
Tão megalópole, densa,
Tão tensa, funda,
E imensa,
Que é como se nossa alma
Houvesse ainda ali,
Que é como andar pelo tempo
Além de andar pelo espaço
E tocar o passado do mundo
Com a ponta do nosso braço.
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É de entranhas feita Madri:
Fogo dos céus e dos infernos.
Mas sendo leve, me sorri:
Flamencos ternos.
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Lisboa, Alfama à noite,
E eu sonho com uma mulher em chamas.
Talvez o cheiro do mar
Traga lembranças
De outros tempos
E camas.
Mas é provável
Que seja apenas delírio,
Por ver Alfama.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Flamenco (poema de 1993)
Inigualável par de olhos negros,
Fundos, sombrios,
Vales frescos, rios,
Nuvens estelares,
Arabescos,
Danças de bailarinas
Árabes, flamenco,
O teu olhar
De Espanha à noite,
E eu o comendo
De tanto olhar
Que eu entendo
Porque é oblíquo
O teu olhar,
Exíguo em tempo,
É só um flerte,
Algo no ar
Por um segundo,
Mas como é enorme
O teu olhar
E como é fundo.
Onde (poema 1995)
Onde está ser feliz?
O quanto e quando?
Ser feliz é ser
Ao estar buscando.
Não é o porto que busco,
Mas ser barco navegando.
Não é o quadro que eu quero,
Mas usar as aquarelas.
Mesmo o amor perfeito,
Encontrar é menor
Que querê-lo.
O amor desatento (poema de 1995)
O amor desatento
Vai deixando os seus rastros:
Pedaços de ilusão,
Usados e esquecidos.
Brasas da paixão,
Chamas consumidas.
Botes de salvação,
Entradas e saídas.
Brisas de emoção
Que já foram tempestades.
Palavras ditas em vão
Que calaram mil verdades.
Fotos em preto-e-branco
Que já foram coloridas.
Bilhetes, cartas,
Presentes, e as coisas
Escondidas
Dentro de caixas guardadas
A sete chaves, no armário.
Ursinhos de pelúcia, bombons,
Os santos sudários,
Manchados com o sangue quente
Dos amantes incendiários.
O amor desatento
Vai deixando os seus rastros,
Que têm a tristeza da terra
E o fogo eterno dos astros
sábado, 31 de janeiro de 2026
A desinformação dos tempos da "inteligência" artificial (ou os que usam a internet para cuidar da saúde e da sua vida, ou ainda, os que "seguem" o youtube):
Nestes tempos de superprodução de informações sem qualidade, recria-se a realidade das conversas baseadas em opiniões da sociedade. O que perde valor, no fim, é o instrumento digital, as redes, incluindo a assim chamada “Inteligência Artificial”. Haverá sempre as vítimas, infelizmente: a multidão dos desinformados, os incultos, os iludidos. Os mesmos que têm sido os crentes das informações da TV, das novelas, como já o foram os do noticiário do rádio, e os leitores das revistas populares, os consumidores de propaganda. E há também os crentes cegos na leitura de má literatura; os egos inflados de filosofia e ciência malfeitas e as almas fanatizadas por cultos religiosos ou politicagem.
Não se deve bloquear estes processos numa tentativa totalitária de controlar a sociedade, mas sim instruir as pessoas com o melhor conhecimento disponível e desenvolver sempre nosso próprio espírito crítico baseado em estudo sistemático. A ciência bem feita e adequadamente analisada é o instrumento para isto.
Educação de boa qualidade.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Esperanças metereológicas
Chove forte lá fora e, forte, outra vez venta.
Sol nenhum nos vem para aquecer as ventas.
Caudais inundam ruas a escoar pelas ladeiras,
O gelo gera águas; a brisa, as tormentas.
Se isto segue adiante, no mundo a adaptar-se
Às novas condições de um clima em catarse,
Então, que ao fim, no árido deserto, assim despertem
Os riachos, rios, lagoas ou o mar, que dos céus vertem.
domingo, 4 de janeiro de 2026
Venezuela Libre? (e a Política Charmosa)
Tem sido vergonhosa a atitude de negação ideológica e desinteresse dos países “livres” e organismos internacionais sobre a Venezuela. Foram cerca de oito milhões de pessoas a abandonar aquele país, que tornou-se outra miserável ditadura socialista latinoamericana.
Do Brasil, que deixou de ser um país livre e hoje é uma ditadura do Poder Judiciário nas mãos de um partido co-responsável direto pela tragédia humanitária no país-irmão, não se podia esperar outra atitude. Mas dos governos e instituições internacionais era esperada alguma resposta, compatível com a gravidade da questão humanitária óbvia, que fosse mais contundente que o Prêmio Nobel à corajosa dissidente Sra. Corina Machado.
Uma excessiva bondade com criminosos de “esquerda”, um elegante “deixa prá lá”. O mesmo com a Rússia e o seu psicopata de plantão: comércio, negócios, sorrisos em eventos, até que torna-se óbvio o bandido que frequenta a tua casa; ele demonstra claramente que vai tomar para si e os seus a tua riqueza. Ele despreza os teus ideais. Ele te mete medo ao ameaçar-te com bombas nucleares, e assim humilha-te. Ele tem sido um criminoso a quem sustentas.
Não há como ser favorável a uma invasão estrangeira num país latinoamericano. Mas pior, muito pior, é ser conivente com corruptos, criminosos internacionais associados ao narcotráfico, tiranos destruidores de Economias e países em nome de um idealismo “à gauche”, irresponsável, que já criou regimes totalitários e matou milhões de pessoas (há menos de um século).
(Vide, por favor, a segunda parte de As Origens do Totalitarismo, da Hannah Arendt. Em versão reduzida, Le Système Totalitaire, da mesma autora).