domingo, 14 de julho de 2013

sonho com o brasil


O Brasil está dentro de nós: tu o sentes?
Menino mestiço, poeta, a produzir modinhas;
Sábio na fé, laico filósofo da vida;
Mulher de garra a parir labor e gênio
E o imigrante a empreender comércio, indústria.
Ouve o Brasil no canto das Bachianas,
A voz suave em que alma inquieta inspira
Latinidades em Renascimento.
Vê a bandeira que levas num teu sonho
Com as cores de Habsburgo e de Bragança,
Cores da primavera e do ouro.
Para além do racismo e outros “ismos“
Para além de aventureiros e tiranos
Para além dos ideólogos forâneos,
Para além dos crimes e misérias,
O Brasil está em nós e segue avante.

Traz para fora de tua alma este diamante
Do sol de um mundo novo que se gesta.

Há o Brasil em ti e tu és seu ninho.




domingo, 7 de julho de 2013

pequeno poema sobre grandes coisas


Olha só! olha: o ramo se desenrola e surge a folha,
A folha, filha do ramo e da raiz, abre-se ao sol,
Filha feliz que, ao nascer, já sonha ser a flor
E guarda em si o germe de aroma e cor
E se transforma na flor das sépalas e pétalas,
Estames e carpelos a proteger o espírito da vida:
O fruto inaparente, preconcebido no cerne da semente.


sábado, 6 de julho de 2013

sábado com Bach


Capto com meu olhar estas folhas cobreadas
No sábado calmo com Bach tocando ao fundo
E sinto o encantamento escondido do mundo
Dando um sentido ao que alguns crêem ser nada.

A vida me sussurra como se contasse segredos:
“O coração tem razões que só amar reconhece.
Este é o perdão pelo qual nossa alma se tece
Com os fios dos enganos e as agulhas do medo.“

Lentamente nos permitimos chegar à consciência
E só vestimos nossa alma ao perder a inocência
Aceitando, por fim, que somos o verme e o deus.

Tarde de inverno, sábado: nascendo-me o verso,
Com as cordas de Bach soprando ar no Universo
E esta vida sorrindo ao despir-se dos véus.






quarta-feira, 26 de junho de 2013

processo


Não sou direita, esquerda, ou centro:
Meu partido
É criar fora o que está dentro

É ser igual a ti, sendo diverso

E respeitar-te sendo respeitado.

A justa via não tem cor, classe, ou lado,
Nem gênero definido:

A justa via é feita por um justo
E o seu caminho percorrido.

Sem palavras, no silêncio,
Os sonhos vão parindo a vida:

É uma mulher criando,
A prole,
Outra mulher amando
A prole alheia,

É o homem simples
A aprimorar sua aldeia:

E ao reformar a aldeia,

Refundar
O Universo.

sábado, 15 de junho de 2013

ideais e realidade


Voltam os velhos sonhos a andar nas ruas,
Sonho velho, andarilho em calças rotas,
A invocar a algum deus antigo com poesias,
Celebrando primevos cultos de passagem.

(O semimorto Odin reclama de seus lobos.
Jeová, o moribundo, delira a ditar regras.
Alá esbraveja e sai pedindo a guerra santa,
Entre outros deuses, nos jardins do Inferno.)

O mais caduco dos bordões é então entoado:
Mudar o mundo! refazer a história humana!
Trocar de alma,  refundir-se na inocência!...

(Os tarimbados deuses comentam com enfado:
-Esta balbúrdia é só mais uma asneira insana.
O que lhes falta é esforço, estudo e competência.)


terça-feira, 11 de junho de 2013

Elegância na fé


Que a fé seja elegante:

Sendo imenso sol,
Estrela brilhante,
Que se mostre
Quase invisível
Para um olhar distante,

Pois assim se borda o céu.

Que o ideal
Seja aroma de flor,
Não cheiro
De barato
aerossol.

Que a fé
Seja tão íntima
Como o amor:
Tu e teu Sentido,
Ou teu Deus.

Toda gritaria,
Publicidade,
Ostentação,
De uma fé
Transforma-a
Em uma indecência,
Teste de tolerância
Para a alheia
Paciência.

Veste tua fé
Para ti mesmo
Com discrição
E elegância.