terça-feira, 6 de abril de 2021

Os incuráveis criadores do novo mundo (ou "sonhar mais um sonho impossível")

Sinceramente? Não haveria um forte viés racista e supremacista europeu por trás destes movimentos revolucionários coletivizantes na América Latina? Descendentes de europeus, de classe média alta, insuflados por ideologias originadas do Idealismo Alemão buscam civilizar os “primitivos” povos indígenas e africanos, que não prestam “a criar uma civilização”. Não haveria nisto um revival laico dos evangelismos e das missões jesuíticas que empestaram a história do continente latinoamericano por séculos ? Ao falar com europeus envolvidos nisto, principalmente franceses, sempre percebi algo do tipo “temos que ensinar civilização à gentalha”. Estes ideólogos tem uma espécie de prepotência intelectual, a “Síndrome dos criadores do Novo Mundo”. Pois o resultado final é ainda o mesmo: falta de liberdades, corrupção, opressão e, nestes últimos movimentos coletivistas, miséria avassaladora. Se eu fosse das áreas das Ciências Humanas, pesquisaria isto...

Um dos ícones simbólicos da "Síndrome dos criadores do Novo Mundo" é Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro de triste figura. Pois este romance escrito em poesia realista por Cervantes não idealiza um verdadeiro herói, pelo contrário, é uma paródia aos romances de cavalaria que estiveram em voga décadas antes da escritura do livro. Um homem decrépito, que se entrega ao prazer de "sonhar o impossível" lendo romances de cavalaria e perde o juízo, tornando-se o justiceiro andante. Quixote é uma sátira, uma comédia, produzida pelo grandioso talento de Cervantes. Um personagem tragicômico, a quem o pobre Sancho Panza tem que obedecer como "pessoa comum", ingênuo servidor que é. Na América Latina, daqueles tempos, certamente, o personagem Sancho seria um escravo, o seguidor fiel de uma Ideologia partidária.

Creio que eu usaria a triste figura de Dom Quixote de La Mancha, enlouquecida por leituras e sentimentalismo, como símbolo da "Síndrome dos criadores do Novo Mundo" na minha tese.



domingo, 4 de abril de 2021

Joio e Trigo

Sou do mundo dos sonhos, 

Dos símbolos, das fábulas.

Escuto a voz que ensina

Nas madrugadas,


Em lugares que desconheço

Num real que é seu avesso,


E disto sei que é preciso

Crer e descrer, duvidar

Como quem sonda

Os abismos do mar

Como fez Tales

De Mileto,

A mirar as ondas.


Cifradas mensagens,

Duplo sentido em imagens

Esboços obscuros

De planos futuros,

Desejo escondido

Em nebulosa paisagem,


Aí se confundem

Sombras e luzes

Pois disto

Se é composto,

Como os dois lados

De um rosto,

O Ideal que é o disfarce

Do seu oposto,

E a duração total

De um dia.


Crer e descrer,

Rejeitar profecias,

Sempre mais desvendar

Para chegar a uma fé

Que distingue verdades 

De fantasias.


domingo, 21 de março de 2021

Anatomista do real


Quem sabe ver 

Sabe calar-se

Para dissecar o real,

O que se mostra

Ou se oculta

No disfarce do Ideal. 


Sabe ouvir,

Mais que as essências,

Às gritantes evidências.


E sabe ter o desencanto

Com ícones,

Ídolos, santos,

Gênios, profetas,

Causas, partidos,

Literárias utopias.


Despir a vida

Do ruído

Da militante poesia.


Sabe ver com

Olhos de águia,

Sabe ler

Verso e reverso,


Sabe ser

Um solitário

A dissecar o discurso.







Dias agrestes (em confinamento pela Pandemia)

 



Vidas desfeitas, corpos rotos,
Amor recôndito, em espera
De que o inverno dê seu broto:
Novos tempos, primavera.

Vejo a vida da janela
E pela janela dos olhos
Também a vida me vê.

Separados pelo vidro,
Estamos ambos cativos,
Querendo o vidro romper.

Sem pressa, suavemente, 
Dança a vida nos ciprestes,
É primavera, o sol amansa
Desesperanças agrestes. 


domingo, 14 de março de 2021

Revelação

Dúvidas minhas, 

Dúvidas da vida.

Como se separa o que eu sei

Do que nada se sabe,


Aquilo que pensei 

E o que me cabe 

Fazer?


O que é saber 

Com certeza

Se a própria natureza

Parece não se saber?


Só ao Homem cabe o dever:

Solucionar a dúvida da vida,

Para a vida poder se conhecer.

Salvar o irmão e a criança,

Não matar o irmão e a criança.


É em cada Homem que há 

Salvação

E Esperança,


E nisto não há ateísmo,

Isto é a essência do Cristianismo:

O maior dos Homens

Morreu crucificado, 

Sem haver pecado.


Por isto, cada ser humano,

Embrião, feto, jovem, velho,

É sagrado,


Joia única da Vida,

Consciência única 

A revelar à Vida 

Seu Mistério.

 


Lembranças de um médico brasileiro

Uma das coisas que se vê nestes dias difíceis são homenagens aos médicos do Brasil, os verdadeiros herois, e aos investigadores cientistas de todo o mundo, que dão sua vida ao esforço de buscar cura e prevenção de doenças, através, por exemplo, de vacinas.

Pois, eu me lembro de coisas bem diferentes num passado próximo.
Lá por 2013, em pleno (des)governo Dilma, tendo iniciado com alunos da UFRGS, Porto Alegre, alguns dos quais conheço, levantou-se uma onda de manifestações de "black-blocks", mascarados com bandeiras vermelhas, propondo o "aprofundamento das reformas populares". Vandalizaram as cidades brasileiras, queimaram, quebraram, picharam paredes. Um deles me disse que "estava indo a Brasília para decidir questões do movimento". Estes "black-blocks" tupiniquins, mais tarde vandalizaram Sampa em defesa das "reformas populares" propostas pelo Haddad, pichando inclusive o Monumento dos Bandeirantes; os do Chile, logo mais, queimaram tudo, incluindo edifícios e Igrejas.
Pois logo após estes lamentáveis eventos, o (des)governo petista, passou a gastar fortunas em Olimpíada e Copa do Mundo, ao invés "da bobagem de construir hospitais" (discurso do meliante, disponível na internet). Há muito tempo enviava bilhões de dólares para “obras” em países ideologicamente coligados (Cuba, Venezuela, Angola...), com o fim de amealhar poder político, e propinas através da Odebrecht. As verbas do BNDES, que devem servir a investimentos de infraestrutura no Brasil, foram usadas “sob segredo de Estado” para obras no exterior e geração de grana para o PT, com o objetivo de realizar os planos de poder do grupo do Foro de São Paulo (além de enriquecer os chefões, é claro).
Pois, no meio daquela barafunda, dentro do mesmo esquema, a gangue criou a campanha dos "Mais Médicos", pela qual, ao invés de contratarem os milhares de jovens profissionais médicos brasileiros recém-formados, e investir pesadamente em saúde pública e em melhorias no SUS (que dizem defender), resolveram trazer médicos (na verdade, paramédicos-escravos) cubanos para atender os brasileiros. A questão era clara, reforçar ainda mais os vínculos com aquela ditadura, mantendo o sistema de tirania dos Castro com grana dos brasileiros.
Para viabilizar o projeto, aquele partido criou “robôs” na internet, com slogans e depoimentos falsos, enfim, o que hoje se chama fake-news, para enlamear a Medicina Brasileira, enquanto aquela senhora (retardada, doente-mental ou medicada por psicotrópicos, até hoje não sei), dizia na TV que “os médicos brasileiros eram gente da elite, pessoas que visavam apenas o lucro, e não tocavam os pacientes, que lhes faltava amor”. Fui ofendido na internet por ser "médico brasileiro".
Nas redes sociais milhares de acólitos, incluindo adolescentes sem educação e professores universitários simpatizantes do partido, apoiavam estes absurdos, escorraçando a “elite médica brasileira”.
Por isso fomos às ruas com bandeiras do Brasil.
Para defender verdadeiros heróis da pátria, estes que salvam vidas, tratam pacientes com ciência qualificada, atendem nas favelas, nos hospitais de todos os níveis de complexidade, e nos centros de saúde de qualquer rincão por mais miserável ou violento que seja deste país-continente, e manter o direcionamento de verbas para a saúde pública dos brasileiros.

Os médicos brasileiros sim, estas pessoas que abraçam os doentes em plena Pandemia.
Por tais motivos, pelo que via acontecer na política brasileira entre 2013 e 2015, eu planejei pela primeira vez na minha vida seriamente, deixar o país. E assim o fiz.
Se tu és capaz de lembrar destes fatos, e de que conseguimos expulsar do poder esta gangue, com bandeira e hino nacional, ainda confio no futuro do Brasil.

domingo, 7 de março de 2021

o tornado da lumpencultura americana

 Confesso que assisti ontem um pedaço do filme Twister, cinema-catástrofe americano. E me dou conta de que uma boa parte destas besteiras falsamente científicas, estes comportamentos de risco, agitação social, e indução às drogas e à violência que marcam nossos tristes tempos tem sido inspirada pelo cinema americano, tanto os de segunda quanto de primeira qualidade.

Pois este filme é um retrato compactado disto: os heróis são um bando de adultos doidos se expondo a risco de morte, sendo salvos somente por um roteirista idiota, um diretor irresponsável e muitos efeitos especiais (hoje já bastante fraquinhos, claramente malfeitos). Sem isto, os personagens estariam mortos nas primeiras cenas. Os vilões são os "cientistas acadêmicos", mostrados no filminho como gente ambiciosa, politiqueira e incompetente. Dois destes vilões acadêmicos acabam morrendo, como deve acontecer com qualquer vilão de produção americana. Conseguimos perceber porque uma estupidez como o movimento anti-vacinas tem imensa multidão de seguidores naquele país. O filme é uma sucessão de clichês repetidos à exaustão, e ainda assim teve as maiores bilheterias em mil e novecentos e lá vai pedrada, tendo sido indicado ao Oscar.

Indo além do Twister, há todo um lado mais pesado do American Movie, a crítica ao "establishment", o qual poderia ser traduzido hoje como o "comportamento adequado". Estes filmes de "destruição dos valores burgueses" não se limitam mais ao cinema "noir". Mocinhos e mocinhas, descolados, bacanas, curtem sua maconha, os traficantes e bandidos são gente muito legal, heróis da contracultura, de bom coração, enquanto as pessoas "adequadas" são medíocres seguidores do "sistema".

Sem falar nas impressionantes culturas do rap, funk, e mesmo o lado mais escuro do rock, ou seja, toda uma "lumpencultura" que tem acabado com a vida de muito garoto e muita garota ingênuos, sem adequada educação formal e familiar.

sábado, 6 de março de 2021

Confissões em confinamento

 Nestes momentos de grande sofrimento coletivo em nível mundial, expansão da pandemia e mortalidade imensas, confinamento quase absoluto, inicia a contar o efeito claramente positivo da vacinação em massa. Em Israel isto se torna evidente, e parece que em uma ou outra região da Andaluzia também, pelo menos nos lares de idosos onde os mais velhos, vacinados, deixaram de morrer como moscas. É um raio de esperança quando os confinamentos prolongados, tão difíceis para as pessoas e as Economias, vão se somando. 


Aqui, seguimos confinados, mas com quase um milhão de vacinados, confiando que logo mais, no verão, com a vacina, teremos obtido  a imunidade de rebanho, a matemática sagrada do R<1. 

Volto ao Brasil, meu país. As mensagens que recebo revelam sobretudo posicionamentos políticos que a descrição dos trágicos fatos, que não se restringem ao umbigo dos meus conterrâneos mas a qualquer canto deste planeta Terra.

O governador, que estava sendo elogiado, voltou a ser um lixo. O prefeito, idem. O presidente, vilão. O país está vacinando milhões de pessoas, mas isto ninguém cita. A gente é capaz de perceber nas frases e textos, especificamente pelo que falta nas mensagens, a coloração política de um e outro, como acontece com as torcidas de futebol: “o problema é que as pessoas estão enlouquecidas pelo confinamento” (ou seja, o político X tem razão de criticar esta medida, como se houvesse outra neste momento, com os níveis atuais de vacinação). Outro texto, escrito com talento, afirma: “as mortes por Covid diminuem no mundo todo, aumentam no Brasil"...(ou seja, o problema é o político Y...mas o texto conta uma um mentira, e todos sabem: a mortalidade neste instante só é artificialmente reduzida enquanto permanecemos confinados, em qualquer aldeia por menor e mais isolada que seja, quanto mais nas grandes metrópoles). 

Esta falta de uma parte do pensamento, esta sutil ocultação da verdade, é que preocupa: as pessoas, em nome do partido que torcem, distorcem a narrativa da realidade para obter algum voto em 2022, mesmo numa situação de vida ou morte coletiva nestes trágicos meses de 2021. 

Confinamento para mim tem sido um prazeroso exercício criativo, montando projetos, obtendo resultados, finalizando pesquisas, com aulas online, namoros com a paisagem, comidas gostosas feitas com calma, boa música, convivência de primeira, este gato Paquito feliz com os donos em casa. A constatação pura e simples de que a felicidade é um bem do coração e envolve coisas que a dona Rosa Miz me passou lá no bairro Menino Deus, Porto Alegre. E, embora haja mensagens e frases nas redes dizendo que a felicidade não é da alma, aliás que não há alma, eu, para mim chego à certeza do contrário em plena tragédia da pandemia. E sem time, sem partido, sem correntes de oração. 

Não sei se saio vivo desta, sinceramente, mas saio agradecendo pelos últimos bons tempos.

Grande abraço do confinado aqui aos amigos confinados daí!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

O vilão (ou joga pedra na Geni, joga...)

 A hipocrisia sobre o aquecimento global é o grande “negócio” do momento e deve gerar lucros. Como aqueles religiosos que pregam o que não fazem e são os donos das suas  “comunidades”, Europa e América do Norte imporem sanções a países que “ainda tem florestas nativas” é uma piada de mau gosto. 

Principalmente, transformar em vilão o país que continua a ter mais de 60% de suas florestas em estado nativo (contra o segundo lugar, Estados Unidos, que já consumiu 90% das suas, sem falar nos demais que se tornaram o império do eucalipto inflamável e do milho para biodiesel). 

Diga-se de passagem, o "vilão" conseguiu manter sua área de mata virgem e, ao mesmo tempo, tornar-se a maior potência agro-pastoril e agroindustrial da América Latina (e das maiores do mundo), quando povoou por migração interna o cerrado brasileiro (um imenso deserto tórrido, e sujeito a queimadas recorrentes, que Levi-Strauss denominou, como bom francês, de "Tristes Trópicos"). Coisas do JK, criador de Brasília, da gauchada que levou know-how, tecnologia e empreendedorismo e de muito brasileiro de primeira grandeza nascido em todas as querências.

Mas dizer algo contra idealistas poderosos é sempre perigoso.




Interessante texto da CNN

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Sem fantasia

Finjo não perceber,

Faço de conta

Que os olhos 

Não sondam

E a mente não ronda


O próximo passo,


Mas eu sei,

Ele vem entre

Neblinas 

Calçando os pés

Com nuvens

A ocultar-se

Nas esquinas,


Vem sussurrando

Sonhos,

Desaguando

Presságios,

O ainda

Não vivido.


Aguço o olhar,

Tento escutar,

Aspiro cheiros,

Silencioso 

Feito cão

A farejar.


Retomo 

Sonhados

Símbolos 

Para decifrar

Código, Língua,

Profecia, 


Mas sempre

Falho na gramática

E na sabedoria.


Pois, que venhas,

Revelado mistério,

À luz crua do dia,

Com tua face,

Nua das minhas fantasias.




domingo, 24 de janeiro de 2021

IngSoc

 Leio espantado um  artigo no Estadão que informa que Orwell temia que a”Direita” usasse sua obra como instrumento político. 

Não sou "de Direita", mas "IngSoc" significa o quê? Para que tipo de público os jornalistas brasileiros acham que escrevem? Impressionante...pensam que os leitores brasileiros não leram Orwell, não só 1984, mas a Revolução dos Bichos. E o resto. Nem Arendt, que alterou seu Origins of Totalitarianism depois das declarações de Krutchev sobre o Totalitarismo Soviético. Aliás quase tudo da Hannah, que aprofundou o desmascaramento do Marxismo a ponto de dizer em um de seus livros que “o Socialismo Europeu só conseguiu concretizar a União Europeia ao ter desistido do Comunismo”. Ela, que foi uma das inspiradoras da U.E. Além de Arendt, toda a literatura crítica da visão de Esquerda radical, de nível incomparável, incluindo um latinoamricano Premio Nobel. Que público imaginam os jornalistas ter o Brasil? 

É por isto que vemos a classe artística brasileira, gente com segundo grau incompleto e boa de ritmo e verso,  magoadíssima com o rechaço dos brasileiros. E os jornais desacreditados...quem são os jornalistas brasileiros? Qual sua formação? Fraquíssimos...

Quem são os responsáveis pelo colapso da Esquerda no Brasil? 

Umas gangues com discurso populista, envolvidas com ditadores e terroristas que, além de delirar com regimes coletivistas da primeira metade do século vinte, destruidores de Economias e países, enviaram dinheiro dos brasileiros, sob segredo de Estado, para governos ideologicamente coligados (obviamente recebendo alguma propina de retorno). É isto que os brasileiros  conhecem desta Esquerda nacional e isto é real. Esta esquerda, cantada na MPB, merece escárnio e repúdio.

Portanto, nem Direita nem Esquerda, para a Frente e, se possível, para o Alto! 

Paulo Francis, volte urgente!

domingo, 17 de janeiro de 2021

Vacin(Ação)



Vacin(Ação)
Ampla, geral e irrestrita,
Distribuída pelo Estado E/OU comprada pelo indivíduo:

Colocar nisto o esforço e as verbas,
O talento (e o discurso!),
É a Poesia que precisa nosso ouvido.
(Tudo mais é impreciso.)





quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

PC Chinês escolherá o novo Lama Budista Tibetano


Não sou Budista, mas admiro demais o Budismo, por sua riqueza conceitual, seu espírito totalmente desapegado de rigidez ideológica e livre de proselitismo.
A expulsão dos monges tibetanos de sua terra, a tentativa de destruir uma das culturas mais belas, lúcidas e profundas que a Humanidade produziu, oferendo em troca fanatismo chulo em uma ideologia materialista presa a interesses políticos de dominação totalitária nunca terá os resultados que o PC Chinês visa.
Pelo contrário, o Budismo Tibetano mostra sua grandeza ao mundo, espalhando-se por todas as partes e obtendo admiração merecida, coisa que a revolução cultural deixou de gozar há muito tempo, pelo menos das pessoas mais esclarecidas. Sem falar das pesquisas científicas geradas pelo estudo da Meditação (pesquisas que produziram métodos terapêuticos eficazes).

Se o PC Chinês imagina que destruirá a cultura budista ao escolher os líderes, os lamas, do Tibet, demonstra apenas a estupidez dos seus líderes políticos, a pequenez e a mediocridade (conceitual e espiritual) da sua própria ideologia.

Sua revolução cultural demonstra claramente o que é, e a que veio.

domingo, 3 de janeiro de 2021

Outras mortes mais silenciosas além do COVID19

Um tempo de crimes lamentáveis...nos Estados Unidos, nos 40 anos de aborto liberado, 40 milhões de seres humanos foram eliminados (estamos proibidos de falar em pessoas ou bebês "pois ainda não nasceram", na linguagem políticamente-correta destes tempos tristes). Na Holanda, e também na França, a questão nem é mais aborto, mas infanticídio, ou seja, assassinato intra-útero após a 12ª semana gestacional. Na Holanda é ainda muito mais grave: há liberação de infanticidio desde o nascimento até os 12 anos de vida (ou seja, os pais solicitam para matar seu filho doente até os 12 anos de idade e, se o Estado concorda, a criança doente é eliminada). Ainda mais absurdo, se assim é possível: atualmente os pais podem solicitar o assassinato de um filho sadio até os dois anos de idade se houver "estresse psicossocial familiar" especialmente, materno. O termo suave usado é "Aborto Pós-natal" que é justificado nos meios "éticos" e legais pelo fato de que o bebê não tem ainda uma "consciência moral". Além disso temos a eutanásia liberada para maiores de 12 anos, a criação de uma especialidade médica de "eutanasistas". Pessoalmente, este é o grande drama silencioso, pouco divulgado, no mundo, uma verdadeira barbárie, um retorno ao crime intraparental, incluindo o parricídio, o matricídio e infanticídio.

Uma vergonha, um crime contra a Humanidade, praticado por países ditos civilizados em nome da "autonomia" e da "compaixão". E o médico, uma vez mais, torna-se o carrasco sob as ordens do Estado.

sábado, 2 de janeiro de 2021

Tese-antítese-síntese?

Texto na figura de Mauricio Filho
Não tenho certeza se isto é uma realidade da Biologia das formigas, mas certamente ocorre entre os humanos. Por trás de tudo o que houve no século XX, e continua a se passar em alguns lugares, em termos de genocídio, há a loucura filosófica do Idealismo Alemão e seus frutos, tanto à D como à E...Os “inimigos” são os que impedem a “criação do Novo Mundo” e contra eles devemos lutar. Tem que ser muito tonto para crer em algo assim depois do que já houve: milhões de pessoas já morreram por causa do Hegel et al. 

Sobre a Antítese 
Um artista e teórico de Arte, Rollo May, embalado pelo espírito dialético, num dos seus livros, dá um exemplo de Antítese aplicado à criação pictórica: você tem uma tela vazia diante de você. Você lança tintas, “destrói” a cor vazia da tela e, só depois, cria. Ou seja a obra surge a partir de um processo de destruição. O ingênuo pensa: que lúcido! Mas a ideia é apenas metáfora idiota. A obra, na verdade, é criação a partir de suporte vazio. No contexto dos processos civilizatórios, as “revoluções” (sempre provocadas por idealistas que colocam princípios acima da mediocridade humana, ou seja, uns sociopatas) desencadeiam retrocesso à barbárie, destruição de países, genocídio. 
O processo civilizatório equilibra-se no aprendizado e na acumulação de saberes, gradativamente, com cuidado para não romper o precioso fio que nos libera do Minotauro arcaico, da besta ancestral fratricida, parricida, filicida (conforme narrativas antiquíssimas como os Mitos e o Velho Testamento, livro sagrado para alguns). Aprendizado, construção, colaboração, criatividade, sínteses progressivas a partir das carências e da ignorância. Assim se aprende, assim se constrói uma pessoa, um país, se edificam os novos tempos.

sábado, 26 de dezembro de 2020

"O que está em cima é como o que está embaixo"

Recebi um post do youtube no qual um Físico compara o corpo humano, como o conhecemos atualmente, em suas múltiplas dimensões (molecular, celular, genômica, proteômica, tecidual, etc.) ao Universo também multidimensional, incluindo o Macrocosmo (sistemas planetários, galáxias, aglomerados galáticos,a rede de fios cósmicos, os grandes atratores, matéria negra, sei lá o que mais) e o microcosmo (moléculas, átomos, estruturas subatômicas, talvez "cordas", regulados por misteriosos mecanismos quânticos…talvez). Quando vamos estudando estes componentes macro- e microcósmicos e nos damos conta de que tudo, literalmente tudo está integrado, em termos de componentes e de energias, não podemos deixar, pelo menos os poetas como eu, de nos maravilharmos com a espantosa, incomensurável, Mente que parece ser subjacente a Isto. Deus, o sagrado Desconhecido, a Inteligência Universal, tão sutil e tão essencial que permanece oculto aos menos sensíveis. Pode ser só alegoria mística o "Kaibalion", ou seja, os Sete Princípios, os Mistérios, que teriam sido ensinados por Hermes Trimegisto, e transmitidos de forma oral nas comunidades gnósticas, sendo revelados, ou melhor, postos em textos escritos, lá por 1910 pela Yogi Association. Digo "teria(m) sido", pois realmente sua origem Hermética é uma hipótese apenas. Independente disto, os ensinamentos mexem com nossa psiquê, porque, repito, poetas parecem perceber os vínculos entre as diversas ordens de grandezas nas descobertas científicas que nos tem sido reveladas nas últimas décadas, tanto em relação ao macrocosmo como ao microcosmo. Vejamos, os breves enunciados das leis do Kaibalion: "Princípio de Mentalismo - "O Todo é mente, o Universo é mental". O Cosmos é uma criação mental. Princípio de Correspondência - "O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima." As leis que regem os fenômenos em todos os níveis da existência coincidem, de modo que o microcosmo, incluindo a estrutura orgânica, é governado pelas mesmas regras que o macrocosmo. Princípio de Vibração - "Nada é estático, tudo se move, tudo vibra" e os estados de matéria, energia, mente e espírito, resultam de distintos níveis vibratórios. Desde os átomos aos multiversos, tudo se mantém a vibrar. Princípio de Polaridade - "Tudo é duplo; tudo é bipolar, tudo tem seu oposto." Estas antípodas equivalem-se, são idênticas em natureza, mas diferentes em graus. Os extremos se tocam e todas as verdades são meias-verdades, todos os paradoxos podem ser reconciliados numa espécie de transmutação alquímica. Princípio de Ritmo - "Tudo flui para fora e para dentro; tudo tem suas marés, tudo se move de cima para baixo e de baixo para cima; a oscilação se manifesta em tudo e o ritmo mantém o equilíbrio.” Princípio de Causa e Efeito - "Toda causa tem seu efeito, todo efeito tem sua causa; tudo se passa de acordo com a Lei. Acaso é o nome dado a uma lei desconhecida e nada escapa a esta lei.” Princípio de Gênero - "O gênero está em tudo: tudo (todo o ser) contém o Masculino e o Feminino, e o gênero se manifesta em todos os planos da existência.” Para mim, os conhecimentos mais modernos estão inundados desta Mística, a tal ponto que na Física atual fala-se de processos que lembram claramente a Cosmogonia hinduísta. O que dizer da "teoria das cordas" que remete à Dança de Shiva...se a estrutura cósmica original não é algum ponto subatômico, mas uma estrutura vibratória, podemos supor que o Universo respira, expandindo-se e retraindo-se até chegar à dimensão de uma corda vibrátil que ao mover-se leva à re-expansão em ciclos sucessivos. Se fosse partícula, ao contrário, a re-expansão seria impossível. Isto lembra o mito hindu da (re)criação cósmica através da respiração de Brahma...O que dizer das várias dimensões ocultas nestas cordas, que nos remetem aos planos, múltiplos universos, intrinsecamente vinculados na intimidade estrutural desta corda vibratória. Falta ainda comprovar esta correspondência entre a regulação do macrocosmo e do microcosmo, a integração de suas leis que, até o momento parecem irreconciliáveis. Esperamos pela confirmação, ou negação, da Teoria de Tudo. 
 E na Biologia, fico pasmo ao perceber que uma das estruturas embriológicas fundamentais descobertas nas últimas décadas é o "nó" (primitive node), um organizador primordial localizado na linha média da região púbica do embrião durante as fases iniciais da organogênese, cujos cílios giram ininterruptamente, e assim distribuem moléculas ao corpo em formação de modo a organizá-lo em termos de estrutura e morfologia. A semelhança com as estruturas descritas pelos yoguis, chamadas de "chakras" (ou rodas) é evidente, neste caso o chackra básico. Os chakras seriam centros giratórios de absorção, exteriorização e administração de energias do complexo dos "diversos corpos" que constituem cada ser vivo, integrando o corpo físico aos corpos etéreos durante o processo da embriogênese. 
Permanece, porém, uma complexidade pouco explorada e nunca resolvida. O ser humano e creio que alguns animais "superiores", ao desenvolverem a consciência, passam a perceber o mundo através de um egocentrismo, ou seja, passam a constituir, cada um deles, o "centro" que percebe o universo. O "Eu Sou" bíblico, enfim, à semelhança da Mente em torno da qual todo o Universo se configura. E isto, nossa maior grandeza é também desgraça, pois ao nos sentirmos deuses, hipertrofiamos nossa importância, degradando o egocentrismo estrutural em egoísmo barato, a "hybris" segundo os gregos. Mas isto é outra discussão... 

Sem ter certeza sobre nada disto, para mim é inegável a beleza deste arcabouço simbólico e cultural arcaico. Estas são reflexões e alegorias que um fim de ano como este de 2020 desperta no poeta.


de referência para o "Oculto", o Sr. Wiki: https://pt.wikipedia.org/wiki/Caibalion












quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Dever de Matar?

"Quem será designado pelo Estado a empurrar das pontes os suicidas? Quem ensinará a empurrar?" Aqui, refletindo sobre os volteios teóricos e a racionalização de muitos para justificar crimes na Medicina. 
Em primeiro lugar, não há eutanásia ativa e passiva. O que se denomina incorretamente de eutanásia passiva é a retirada de tratamentos fúteis e a evitação do encarniçamento terapêutico. Deixar a Morte ocorrer sem mais interferir, porém mantendo todo o conforto do paciente, eventualmente por sedação profunda nos raríssimos casos em que as terapêuticas de alívio existentes não mais funcionam. Cuidados Paliativos eficientes envolvendo o paciente e a família.

São raríssimos países no mundo que legalizaram eutanásia, incluindo 4 Estados europeus (Holanda, Bélgica, Luxemburgo e Espanha), alguns deles com passagens pelo nazifascismo no início do século XX. Em dois deles pelo menos, Holanda e Bélgica, há graves problemas na observação dos mecanismos regulatórios, no controle legal dos procedimentos e, infelizmente, a eutanásia passou a ser a opção primária de atendimento a pacientes crônicos, suplantando mesmo o dever médico dos cuidados paliativos. Além disto, em termos práticos, ampliaram-se as indicações da indução de morte pelos médicos, incluindo doentes psiquiátricos, bebês com enfermidades (ou por estresse psicossocial dos familiares), e mesmo na ausência de sofrimento insuportável ( vide: https://www.ieb-eib.org/en/file/end-of-life/palliative-care/does-the-belgian-model-of-integrated-palliative-care-distort-palliative-care-practice-442.html)
O suicídio assistido é realizado também em raríssimos países (Suíça, Alemanha, um estado da Austrália e alguns Estados dos Estados Unidos). 

Tendo em vista que eutanásia é assassinato (esta é a expressão verdadeira, mesmo que sendo aprovado o ato por um Estado, ou associando-lhe o adjetivo piedoso), e o desfecho constitui o maior risco possível da prática médica (a morte), não há sentido em considerar a eutanásia como um "ato médico", o qual na sua essência, visa o tratamento de uma pessoa doente.

 E aí surgem algumas questões: 
 -Por que deve ser, portanto, um médico o responsável pelo assassinato de um paciente permitido por lei, se não há tratamento e o risco maior, a morte, será sempre o desfecho?
 - Como se justifica que a Medicina, destinada ao tratamento de doenças e à minoração dos sofrimentos através de terapêuticas, evitando sempre os riscos à integridade física e psicológica das pessoas, torne-se por vontade do Estado, ou influência midiática, ou por ideologia num momento histórico, ou ainda pela vontade popular, a profissão responsável e legalmente liberada a acabar com vidas humanas?
 - Em relação ao respeito à Autonomia de um paciente, até que ponto a Medicina não se prostitui ao obedecer “o cliente” (utente) ao realizar seja lá o que ele, o cliente, e o Estado que paga, desejam, independente de seus princípios fundamentais como Profissão? Ou a Medicina deixou de ter princípios? Tornou-se o quê a Medicina? A “Grande Prostituta”? A obediente súdita do Estado? 
 -Sendo imputada a uma categoria a tarefa de matar pessoas, quem preparará os profissionais (eutanasistas? suicidadores?) para este gravíssimo e lamentável dever, que certamente implica no desenvolvimento de distúrbios crônicos emocionais e psicossociais nos diretamente envolvidos? Serão os professores de Medicina usados para ensinar aos seus alunos os métodos de matar? Quem pode ensinar alguém a empurrar os suicidas das pontes? 
- Finalmente, por que estas sociedades não selecionam outras categorias para cumprir a mais degradante das tarefas? Quem sabe, membros de partidos políticos? Ou burocratas do Estado? Ou pessoas, independente de profissão, para quem matar não constitui uma questão existencial crucial, ou mesmo consideram o ato de matar algo digno, heróico e, por que não, uma prazeirosa "experiência de poder"? Há muitos certamente assim entre os políticos e burocratas do Estado. As condutas para induzir a morte são fáceis, sem desfechos inesperados, e qualquer pessoa com mínima inteligência e poucas habilidades, mesmo um deficiente físico ou psíquico, pode capacitar-se para tanto. Sem envolver a Medicina, profissão cujos princípios são o oposto do assassinato e portanto exige a mais alta capacitação.

 Aos verdadeiros médicos, mantém-se como dever a mais nobre das atribuições: criar, estruturar e participar de programas de atendimento a pacientes crônicos, sejam adultos ou crianças, incluindo os cuidados paliativos tão raros na maioria dos países; aprofundar o estudo da terapêutica da dor, física e psíquica, buscando saná-la ou reduzi-la ao máximo, bem como aperfeiçoar e aumentar a gama de opções terapêuticas para a cura ou, pelo menos, melhoria das doenças, seja por psicoterapia, farmacoterapia ou terapêutica cirúrgica. 

Porque médicos, os verdadeiros, são chamados a capacitar-se à pesquisa científica e farmacológica e envolver-se com outras profissões biomédicas para o desenvolvimento de novas drogas, vacinas, tecnologias, no espírito de uma verdadeira e criativa compaixão, a isto devendo dedicar toda sua vida, seu tempo e sua inteligência.

 O resto é política, incompetência, conformismo, filosofia caduca, niilismo, usos e costumes da ideologia e do discurso. 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Bill Shakespeare e a vacina

No Reino Unido, um senhor chamado William Shakespeare foi o primeiro vacinado para COVID19. Simbólica homenagem! Grande Reino Unido! Voltaire foi aprender o que era liberdade individual e monarquia constitucional na genial Albion. Pregou os ideais britânicos no continente e o resultado foi uma Revolução (à francesa) que redundou no genocídio do Terror. O primeiro dos muitos desastres similares que tem-se seguido no mundo. Parabéns, UK! Parabéns Bill Shakespeare! Parabéns a nós todos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Vaslav Nijinsky em imagens filmadas

Cenas filmadas, originais, do grande Vaslav Nijinsky com uma visão das coreografias de Diaghilev para os Ballets Russes, incluindo o escandaloso "L’après-midi d’un Faune", com a música de Debussy. 

Marcel Proust em "La Recherche du Temps Perdu" narra o espanto e encantamento dos franceses com as obras vanguardistas dos russos do início do século XX. Mas também houve gritos e insultos do público petrificado, pasmo. 

Vale a pena perceber nestas cenas, ainda que de má qualidade, o carisma de Nijinsky, sua habilidade corporal extrema e a capacidade de simular voo, ser imponderável. 

 Foi vítima de doença mental e, a partir de 1913, produziu ele mesmo coreografias herméticas que denunciavam um quadro de demência precoce, como para "Le Sacre du Printemps", música de Stravinsky, o qual colaborou ativamente com Nijinsky.   Jung foi consultado, avaliou Vaslav e o declarou mentalmente incapaz. “Se o houvesse atendido antes..” 

Tarde demais. Nijinsky, um dos maiores bailarinos de todos os tempos. Ah! Esta estranha ligação entre genialidade e loucura. 

 Vale a pena ver as imagens.

sábado, 7 de novembro de 2020

Lembranças de um guri do Menino Deus

O Menino Deus, lá por 1960, era outra coisa, muito menos sofisticada que hoje. Bairro de famílias de imigrantes portugueses, espanhois, árabes, judeus, poloneses, russos, italianos, alemães...o mundo de pós-guerra a circular pelas ruas. 
Muitos de nós éramos pobres e nossos prazeres eram simples, incluindo o chimarrão compartilhado entre vizinhos nas ruas seguras e tranquilas. No Inverno, fogueiras de São João, e quentão. Procissões com velas acesas até a antiga Igreja do Menino Deus, que naquele tempo era um precioso prédio neo-Gótico. Muitas conversas, aniversários, cães e gatos. 
Naqueles dias, a rua Rodolfo Gomes dividia-se em duas extremidades inimigas: os “de baixo” e os “de cima”. Os “de baixo”, como nossa família, moravam na direção da Avenida Praia de Belas, próximo às margens do rio Guaíba, que depois viemos a saber, é um lago. Os imensos aterramentos que criaram a orla de grandes avenidas, parques e edifícios modernos de hoje ainda não existiam e nós todos, usando câmaras de pneu como boia, usufruíamos do grande rio nos verões. Por outro lado, “os de cima”, que viviam na direção da Avenida Getúlio Vargas e mesmo além, para as bandas da Azenha, eram aqueles esnobes que andavam de nariz empinado. Os rapazes mais velhos achavam motivo para disputas: os “de cima” contra os “de baixo”, mas éramos todos bons vizinhos, "buona gente". 
Toda uma parte desta região do bairro era ainda campo desabitado, cheio de árvores, o qual chamávamos de “a Chácara”. Brincávamos na Chácara e era uma alegria ter um campo livre para correr, junto dos amigos e cuscos. Algo que nunca entendi é porque alguns meninos matavam passarinhos com fundas. Eu era o "estranho no ninho" que coletava gatos e cachorros abandonados e me deliciava em admirar pássaros vivos.
Havia na parte “de cima” da Rodolfo Gomes uma família de alemães, os Vontobel Neugebauer, que criaram uma indústria de chocolate para alegrar nossas vidas e, creio, até hoje existe esta empresa em outra região da cidade. Lembro das barrinhas de chocolate amargo, forradas num envoltório branco com a imagem da Neugebauer estampada. 
Na Avenida Praia de Belas desfrutávamos as piscinas do Grêmio Náutico Gaúcho onde, além de nadar, tínhamos espaço para brincar, conversar com vizinhos, “pular o Carnaval no Clube", tomar Guaraná, Grapette, Fanta e Pepsi-Cola ao sol. Não me perguntem por quê, mas de Coca-Cola ninguém gostava. Todos queriam Pepsi. 
Neste clube, meu irmão Tônio, que era campeão Estadual de Natação (e enlouquecia a mulherada com seu corpaço de atleta) me ensinou a nadar aos 6 anos. Eu treinei Natação desde então e participava de competições e torneios, por estímulo do mano, o que me trazia algum desconforto, pois, por algum motivo congênito, nasci essencialmente avesso à competição. 
Nossa escola, na rua ao lado de casa era a Presidente Roosevelt, colégio excelente que o Brizola nos deixou (além do Ginásio Infante Dom Henrique, de segundo grau, que lhe era acoplado). Nestas escolas aprendi a amar o estudo. Mas queria falar do período em que era muito, mas muito pequeno. Eu era um guri magrinho, de olhos azuis e de cabelos “platinum blond” quase brancos, que mais tarde, por algum motivo, tornaram-se castanhos. Pois tive que enfrentar “bullying” por ser como era devido a uma circunstância histórica. Naquela época, pelo menos para a garotada, a grande ofensa era ser um “alemão-batata”. A segunda grande guerra tornou ser alemão no Brasil algo complicado. O hábito germânico de comer batatas também seria? A verdade é que, sem entender bem do que se tratava, eu ficava chateado por ser um “alemão-batata” embora minha família fosse uma mescla de portugueses e italianos. Tenho lembranças muito precoces, sei lá porquê. 
Lembro-me de, no meu primeiro aniversário, estar no colo da minha mãe no quarto dos pais e ela me mostrar os presentes que eu ganhara. Até hoje reflito sobre este mistério da nossa consciência: como pode ser que, naquele momento, eu era já consciente de mim mesmo, era eu mesmo, tanto quanto agora? O que diferia era um clima de magia e a intensidade das cores e sensações. Lembro-me de uma outra situação em que fui levado, à noite no colo de minha irmã a uma festa numa grande casa que creio existir até hoje na Avenida Getúlio Vargas. Fiquei encantado com a sala tão bonita, seus grandes cortinados e lustres. Eu teria uns dois anos. Recordo que alguém me deu para provar um gole de Champanhe e, em certo momento desabou um forte temporal. Fomos rapidamente para casa quando amansou a chuvarada e ao chegarmos no pátio, vimos que a parreira havia despencado devido ao vento. Abrindo a porta da casa, um sapo entrou na sala e minhas irmãs, ainda garotas, subiram em cima da mesa, aos berros. Ao final, todos riam. Bem, desta situação tragicômica tenho motivos para lembrar, mesmo com dois anos apenas. 
Recordo dos dias em que tive sarampo, sentia-me febril e entendi que a febre me deixava triste e com um sentimento de estranheza. Foi meu primeiro contato pessoal com uma doença e com a relação corpo-mente. E das árvores de Natal montadas com pinheiros verdadeiros, bolas de vidro com coloridos magníficos e velinhas de verdade acesas. 
E o cheiro de minha mãe, sua voz ressoando na caixa torácica enquanto eu estava em seu colo começando a dormir. A imensa intensidade de percepções das crianças. 

Na esquina “de baixo” da Rodolfo Gomes havia uma família de russos cuja filha, Mariana, era minha amiga querida, embora não falasse Português, aliás como os pais, que viviam trancados em seu casarão. Mariana, ao me ver, curvava o corpinho numa saudação delicada em sinal de carinho, me olhava com seus olhinhos azuis e seus cabelos cacheados muito loiros e dizia algumas palavras que eu não entendia. A família, soube depois, havia conseguido escapar da União Soviética. Deviam ser ricos, pois tinham enviado seu dinheiro para um banco em Nova Iorque, para onde se mudariam logo depois. Na despedida, Mariana me trouxe de presente um relógio de bolso, que fui saber mais tarde era de pura prata e com preciosos rubis no interior. Eu, então com 5 ou 6 anos, destruí a tal joia que fazia tique-taque para desvendar-lhe os mecanismos. Deveriam ter-me proibido de mexer, mas...
Meus irmãos, bem mais velhos, sofriam com meus ímpetos criativos: não havia caderno (deles) ou papéis que eu não rabiscasse com desenhos e garatujas. E mesmo paredes, móveis. Eu desenhava meus esboços por todo canto, aliás, como até hoje faço. 
Eu era, de algum modo, filho dos meus pais e dos meus irmãos, por isto, era mimado demais. Nem sempre, porém, era assim. Por exemplo, ao ser levado ao Jardim de Infância, eu sofria muito com o afastamento de casa, e era uma choradeira. Minha mãe foi chamada à escola e envergonhada, me disse: “Ah é? Então agora sou eu que te proíbo de ir à escola!” Pois, diante de tal punição, fiquei temeroso. Olhava, desde este dia, os coleguinhas e os alunos maiores, com seus uniformes e gravata borboleta azul-marinho, carregando livros, portando suas pastas, de banho tomado, camisa branca, calça azul e sapato preto. Olhava-os pela janela, já com inveja, e pensava: “não vou poder ir à escola, não vou poder ir”. Disse, então à minha mãe: “Desculpe, mãe...eu não choro mais no colégio. Quero também ser aluno”. Aprendi que na vida as minhas coisas "eram da minha responsabilidade". E fui, com todo ânimo...No primeiro ano, era muito aplicado, sério, o primeiro da classe, o "como se deve ser". Pois, de repente, me dei conta que eu estava certinho demais e um tanto solitário. Lobo da estepe. Assim, com sete anos percebi que ser “o primeiro” nem sempre é vantagem e que viver envolve também conversar, apreciar estar com os outros, aventurar-se na mágica dos amores, inventar a poesia que pode haver. Viver é também (im)preciso. 
 Fiquei mesmo honrado quando a professora do segundo ano primário disse à minha mãe: “Dona Rosa, seu filho é o primeiro da turma, mas fala nas aulas e faz bagunça com os colegas...”. Assim tem sido desde então.

domingo, 18 de outubro de 2020

Medicina Desumana e os vícios incuráveis da Filosofia

"A Criança é o Pai do Homem" (Machado de Assis)

«É preciso deixar amadurecer a infância dentro de cada criança» (JJ Rousseau) 

Aprovou-se há poucos dias na Holanda a nova lei de eutanásia que libera o "assassinato piedoso" para menores com idade entre 1 ano e 12 anos de vida, por solicitação dos pais. Bebês com menos de 1 ano podiam ser sacrificados desde há algum tempo e maiores de 12 anos tem sido mortos pelos holandeses há outro tanto. Quem mata? Os médicos, cumprindo tarefa delegada pelo Estado, seguindo solicitação dos pais. Na França, há bem pouco, foi liberado o assassinato de bebês em situações de "estresse psicossocial" materno. 

Não vou me estender na questão do infanticídio, um hábito que remonta aos nossos ancestrais mais primitivos. Abandonados nas estradas para serem devorados pelas feras, atirados de abismos, selecionados para viver ou morrer pelo Conselho dos Anciãos, de acordo com certas características pessoais em Esparta, ou pelos pais em Atenas. Isto com apoio dos filósofos, como em relação aos velhos, doentes crônicos e doentes mentais. 

A palavra "infantil" significa imaturo, tendo a mesma origem da palavra "enfermidade".  E os pequenos, especialmente os "enfermos inúteis" sofreram toda a sorte de abusos, maus-tratos, exclusão e assassinatos. Apenas no fim do século XIX, seguindo o caminho de Rousseau, passou-se a ver a criança como o primórdio da pessoa madura, criando-se o interesse pela proteção aos menores. 

Somente décadas após, criou-se um atendimento médico específico para as crianças e, lentamente, ao longo do século XX, surgiu a proteção aos seus melhores interesses (bem depois das leis de proteção aos animais, diga-se de passagem). Apesar das leis de proteção aos menores, ainda assim, na profissão de Pediatra, atendi a crianças espancadas, violadas sexualmente, humilhadas por abuso psicológico. Por seus familiares, cuidadores, ou por qualquer um. Não é para menos que na língua Anufo usada por alguns povos Africanos, o Pediatra é chamado de "Nbataam-Kandabri", que significa o "Protetor das Crianças".

A Medicina, de algum modo, participou desta história, ou como assassina a pedido dos pais e do Estado, ou como protetora da criança. Deve-se enfatizar que nunca como nas últimas 6 décadas tantas terapêuticas foram  desenvolvidas para tratar a criança doente e aliviar suas dores, não a abandonando no caminho. 

Há quem imagine que criança não tenha doença grave. Pois não é assim. Há crianças que nascem enfermas por doenças congênitas, outras padecem de enfermidades crônicas adquiridas, além dos acidentes graves como as queimaduras. E há os transplantados a exigir imensa atenção para sempre. 

São pediatras que as atendem, são cientistas que desenvolvem medicamentos para curá-las ou tratá-las e mitigar suas dores. Alguns governos com dignidade, como o do Brasil e da Europa, fornecem medicamentos de última geração para melhorar sua qualidade de vida, incluindo os chamados "medicamentos órfãos". 

Estas crianças portadoras de doenças crônicas necessitam dos melhores cuidados paliativos por toda a sua vida. Eu tive a honra de participar de algumas destas situações, envolvendo equipes médicas devotadas, famílias amorosas, heróicas e isto me ensinou o que é o amor verdadeiro, só percebido e expressado nestas situações limites. 

Contudo, repito, este esforço da Medicina, que podemos considerar como um novo paradigma civilizatório em relação à criança, certamente o mais elevado, tem menos de 60 anos!

A Medicina embrenhou-se nos últimos tempos com a Filosofia para gerir e desenvolver a Ética Médica. Isto tem possibilitado algum avanço na relação entre médico e doente, buscando valorizar princípios éticos, morais, humanitários. Ocorre, porém, que a filosofia tem seus vícios. Baseia-se em uma reflexão sistemática de referências bibliográficas e, não raramente, confunde realidade com texto, transformando texto em verdade, sem a  capacidade de fazer uma clara observação dos fatos e dados para chegar aí sim a conclusões adequadas. A Filosofia tem sido a mãe de ideologias políticas, que usam o discurso filosófico para gerir comunidades da pior forma com desastrosos resultados, em nome de algum Sistema a prometer o Novo Mundo. 

Esta fusão da Medicina com doutrinas filosóficas, buscando solucionar dilemas da vida humana com axiomas e deduções, por exemplo baseados no princípio da Autonomia, a liberdade individual de escolha, pode ser lamentável. 

A liberação de assassinar, com ou sem piedade, é um ponto sem retorno para o assassinado, para o profissional que assassina, para o sistema jurídico de um país.  O caminho atual estava sendo o da tentativa de eliminar guerras, genocídio, pena de morte, resquícios de um mundo bárbaro, embora tão próximo.

Como gosto de Filosofias, mesmo sendo intrinsicamente desconfiado dos seus métodos e resultados, uso aqui uma reflexão de Jean Baudrillard no excelente livro A Transparência do Mal, que analisa a Sociedade ocidental Pós-Moderna. Baudrillard diz que o Ocidente tem buscado destruir seus conceitos fundadores, como o Bem, o Justo e o Belo, através da Generalização que dilui estes conceitos. Se dizemos que qualquer coisa, uma sanita exposta ao público por exemplo, pode ser Arte, o conceito de Arte deixa de existir. O mesmo em relação ao Bem e ao Justo (tudo vale). Sobre a Arte, ele assim  resume: "uma Arte que desconhece o conceito de Beleza merece um Mercado que desconhece o conceito de Ética".

Em nome da liberdade de escolha individual, a valorização super-dimensionada da Autonomia relativiza os valores humanos conquistados pela civilização, destruindo o que a cultura Humanitária de melhor qualidade tem produzido com tanto esforço.

E aí está a questão: se assassinar passou também a ser tratamento, ao invés de se investir sempre mais na cura ou nos cuidados paliativos, então está decretada também a Morte da Medicina.  Como predizia o Dr. Julius Moses, morto num campo de concentração: O médico torna-se o Carrasco. 

E bem mais fácil para as finanças e o conforto do Estado e de algumas famílias.


 

sábado, 10 de outubro de 2020

Outono, ao sol

Nada digo, até pensar evito,
Em explicações, ou motivos,
Quando me sinto pleno ao ser finito,
Pelo simples fato de estar vivo.

Sou o que sou, como é a vida,
Contemplo com doçura erro e acerto,
Esforço, queda, júbilo e ferida,
Amando o que se foi, ou segue perto. 

Nada falo, ou concluo, nada rezo
Deixo a luz de um sol brilhar no peito
Deixo voar a ave que mais prezo.

Fluo, como um rio a fluir no seu leito,
Apenas gozo o que a vida oferece
E que, ao seguir vivendo, eu aceito.

 


sábado, 3 de outubro de 2020

meu Deus, genial!

 Há quem goste de textos religiosos para reforçar a fé. Pois eu me encanto mesmo é com leituras de Anatomia, Embriologia e Fisiologia! A Inteligência destes elementos e processos, para nós inconscientes, que são subjacentes e indispensáveis à vida é incomensurável. Lendo aqui sobre os mecanismos reflexos do controle do sistema cardiovascular, ou sobre os controles moleculares da formação de novos vasos, ou das defesas imunes, eu fico pasmo, e não tenho como evitar pensar: "meu Deus, que genial!"





Reflexões sobre queimadas na Savana Brasileira, o Cerrado (sem falar em mudanças climáticas)


Países europeus ardem nas estações quentes e secas. Boa parte disto são queimadas, além de eucalipto (praga importada da Austrália para gerar grana com a venda da madeira). Raros países da Europa tem alguma floresta e, em termos, de mata nativa é quase nada. Na “ecológica” Alemanha, cerca 10%, no máximo, é mata nativa. O resto é eucalipto e milho (este, para nutrir o gado e gerar biodiesel). As queimadas nas savanas brasileiras (o Cerrado), os Tristes Trópicos descritos pelo Levi-Strauss são tão inevitáveis, pelo clima quente e seco, quanto as que infernizam os verões da Europa, Austrália, África, Estados Unidos e o Pampa seco. Usar algo assim como ferramenta política é demonstrar ignorância ou mau caráter (no sentido de política de baixo calão, politicagem, etc).

Além do clima, além da geografia há as práticas lamentáveis das queimadas.
Quem queima? O indígena sempre queimou, mas no Brasil, são os gaúchos e seus descendentes, principalmente os da Serra Gaúcha, que transformaram os Tristes Trópicos em imensas plantações de soja e outras culturas, incluindo uva (e vinho) no cerrado baiano e de Pernambuco, e desenvolveram a Pecuária extensiva, levando qualidade e riqueza aonde não havia nada. Somos nós os gaúchos, que fizemos do Brasil uma potência agropecuária e de agroindústria ao longo de décadas. A nossa cultura de queimadas saiu da Europa, neste caso do Norte da Itália, e se instalou no Cerrado. Na Europa, tenta-se modificar este hábito, punindo com altas multas os agricultores que fazem “limpeza de terreno” (como chamam por aqui) com fogo. Com multa parece resultar (um pouco). Começa a haver investimento em indústrias para uso de biomassa.
Mas olha o tamanho do cerrado Brasileiro, amigo! É dois terços da Europa. Têm que ser fiscalizadas as queimadas por satélite.
Acho impossível obter um controle total, mas vale a pena a tentativa que se inicia de monitorizar com satélites da NASA e do nosso país.
Contudo, o uso político ao nível internacional de um certo grupo de pessoas (do Brasil e da Europa) é algo criminoso contra o Brasil.

domingo, 27 de setembro de 2020

O poder das redes

Documentário do Netflix denuncia o "uso que as redes fazem das pessoas", ao viciá-las na internet, transformando-as em "consumidores" e produzindo "visões políticas" polarizadas.

Estas redes realmente são lamentáveis: pessoas desconhecidas, sem fama, sem partido político, colocando suas ideias próprias, seus poemas e fotos, falando de si, de seus cantinhos no mundo.
Bons tempos em que acreditávamos na Zero Hora, éramos influenciados por intelectuais gabaritados como Paulo Santana, livres-pensadores apartidário como LF Veríssimo, uns músicos populares, libertários e drogaditos que depois, ou viraram ministro, ou morreram de overdose e AIDS. Uns heróis da contracultura.

Tirávamos sabedoria e julgamento lúcido, livre, a partir de um Jornal da Globo e as novelas da Globo faziam nossa cabeça, sem cobrar nada, sem querer nada. Por amor. Prostituição feminina ou masculina reconhecida como bacana, macaqueando a Holanda, entre tantas pérolas lançadas à adolescência do Brasil. Isto sim era progressismo!

Não éramos consumidores. Embora já houvesse o PROCON e o Horário político fosse chamado de Propaganda Política.

A qualidade de reflexão, a liberdade que perdemos: um Sílvio Santos, brilhante intelectual sorridente e bonzinho, durante um domingo inteiro. Um Chacrinha e suas chacretes revelando o que de melhor a cultura carioca tinha a dar ao país. Com direito a homenagem musical dos tropicalistas.
E não éramos consumidos como se fôssemos um produto. O consumo não enfeitiçava a ninguém, embora vivêssemos em plena Sociedade de Consumo, expressão criada por McLuhan e difundida nas décadas de 60, 70.

Não havia vício com televisão. Crianças e adolescentes não ficavam horas na frente da telinha, nem os pais emburreciam, livremente, vendo novela. Todos assistiam tudo, todo o tempo, pelo menos passivos, quietinhos, satisfeitos, como deve ser o bom público.

As propagandas eram de alto nível, desinteressadas, como a inesquecível Lei do Gerson no comercial de cigarros. Lembram da famosa frase: "O importante é levar vantagem". Cultura e caráter.

Não éramos sorrateiramente pesquisados para informar às empresas jamais, e IBOPE era a sigla de uma irmandade de franciscanos.

Polarização? Isto é realmente novo! Bons eram os slogans e palavras de ordem dos partidos de antigamente, nas quais ainda acreditávamos, os discursos dos políticos irmanando a todos independente de ideologias. A primeira metade do século XX não ocorreu, nem nazistas versus comunistas, ou vice-versa. Só as fake-news das oposições tentam nos dizer que estas coisas existiram. Nunca existiu a frase: Brasil, ame-o ou deixe-o. Nunca houve racismo, preconceito contra minorias (as minorias eram amontoados de seres invisíveis e mudos). Nunca ouvimos políticos conclamando à luta contra os valores burgueses e de classe média.
Hoje em dia, até políticos brasileiros importantes acabaram no xilindró. Como ousas, populaça!

O paraíso em que vivíamos se desfez.

Parece que tudo isto veio à tona, veio à luz, devido aos computadores. Por que será? A internet e suas redes realmente prejudicam. A pergunta que fica é: a quem?

sursum corda


To be "high" 

Is to be

Above the crowds.



domingo, 20 de setembro de 2020

Portugal


 Amo Portugal, de cá das beiras

Onde contemplo serra e vales,

Enamorados desde a vez primeira

Os meu olhares.


O clima ameno, as suaves gentes,

Límpido céu e seu colar de estrelas,

E as águas cristalinas de rios verdes,

Frias e belas.


Amo a vida segura que me envolve,

Mesmo nos dias em que o mundo exploda:

Estou em casa, Portugal, e amo viver-te

Por esta vida toda.



sábado, 19 de setembro de 2020

El gaucho (O Gaúcho)

Tratado de Tordesilhas, padres jesuítas espanhóis criando as missões redutoras dos indígenas pampeanos na imensa região que seria mais tarde a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Gado europeu trazido pelos jesuítas espalha-se e prolifera livremente no pampa gaucho (gerando cerca de 12 milhões de cabeças de gado). As coroas portuguesa e espanhola expulsam os Jesuítas e destróem "las Misiones". Os Jesuítas não eram santos e tentaram dizimar as nações indígenas não-evangelizadas. Índias e europeus entrecruzam-se e surgem seus bebês, renegados pelos brancos e pelas tribos: o solitário Gaucho original, tentando sobreviver no deserto pampeano.

Na Revolução Farroupilha dos rio-grandenses contra o Império, dentro de espírito republicano e anti-escravagista, o gaúcho tornou-se o "herói farroupilha".

Acho interessante que os europeus que chegaram depois ao Rio Grande, inicialmente os alemães e, após, os italianos, judeus, poloneses, etc. adotaram o espírito deste solitário herói fundador. Os Centros de Tradição Gaúcha (CTGs) são uma homenagem, um tanto estilizada, destes europeus ao miscigenado gaúcho, neto de portugueses, espanhóis e índios charrua, minuano, tupi-guarani. Os CTGs espalharam-se por boa parte do Brasil, levando pecuária, agricultura, religião e boas escolas.
Nas saídas de Porto alegre e outras regiões gaúchas há as reservas indígenas protegidas. No Uruguay e Argentina, as tribos pampeanas foram dizimadas, num absurdo genocídio programado para produzir uma "Civilização europeia" sem "Barbárie gaucha, indígena" (ler "Facundo, Civilização e Barbárie" do Domingo Sarmiento). Dizimadas exceto nos polimorfismos genéticos analisados no projeto Genoma Humano, e visíveis no delicioso tipo físico dos "cabecitas negras" de boa parte da população dos dois países hermanos.

Outra referência excelente: Cuando El Uruguay Era Sólo un Río:Testimonios de los Cronistas y los Viajeros, do Dr. Daniel Vidart






quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Picaretas espirituais


Entrei no youtube ontem para ouvir alguma música. Deparo-me com um vídeo intitulado: "zumbido nos ouvidos é causado pela ativação da glândula pineal", algo muito espiritual. A sábia senhora veste-se bem, cabelos bem cuidados, fala bem, com um sorriso bondoso...conheço o tipo. Nunca sei bem se é apenas incapacidade de julgamento, ou envolve algum traço sociopático, eventualmente apenas a busca de financiamento. Se eu fosse um pouco mais ignorante confesso que levaria a sério.
Amigos já perderam a vida, a sanidade, ou o trabalho pelas lorotas de gente assim. Alguns destruíram sua profissão ao enfiar-se na Amazonia para usar um "chá sagrado" e mirar Virgem Maria. Outros, estando doentes, preferiram fazer o ritual da dança de roda. Outros ainda, se meteram a experimentar os poderes curativos da cannabis sagrada e enlouqueceram. Conhecidos se mudaram para Brasília com medo das inundações decorrentes da "mudança de fuso do planeta". Há quem ainda olhe o céu esperando a chegada dos OVNIS prevista para 2019. O caos cultural brasileiro pode ter para-efeitos graves.
Dei-me, porém, ao trabalho de escrever no debate que segue o vídeo da senhora iluminada uma frase (humilde) de orientação aos que sofrem de zumbido:
-Zumbido nos ouvidos é uma manifestação de perda auditiva. Se sofres de zumbido, busca um Otorrinolaringologista!
Mas duvido que algum seguidor dessa senhora, literalmente me dê ouvidos.